A homologação da raça Berganês durante a Caprishow, em Dormentes (PE), abre uma nova etapa para a seleção genética de ovinos voltados à produção de carne no Brasil. Com o reconhecimento oficial pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), a raça passa a ter padrão racial definido, livro genealógico próprio e regras específicas para registro, identificação e reprodução dos animais.
A cerimônia de homologação contou com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, do presidente da Arco, Edemundo Gressler, da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, da prefeita de Dormentes, Corrinha de Geomarco, e de outras autoridades. A presença das lideranças marcou o reconhecimento oficial da raça Berganês como a 33ª raça ovina homologada pela entidade.
Realizada no Sertão pernambucano, a Caprishow é uma das principais feiras de caprinos e ovinos do Nordeste. O evento reúne exposição de animais, leilões, concursos, cavalgadas e palestras técnicas, além de mobilizar produtores, técnicos e lideranças ligadas à economia rural da região.
O presidente da Arco, Edemundo Gressler, destaca que a oficialização permite iniciar um trabalho técnico de acompanhamento da raça. Segundo o dirigente, a entidade passa a atuar no registro, na seleção genética e no controle das gerações, com o objetivo de futuramente integrar a Berganês ao sistema de pedigree.
Resultado do cruzamento entre as raças Bergamácia e Santa Inês, a Berganês é especializada na produção de carne. “Os animais se destacam pelo grande porte, elevada fertilidade e alta prolificidade, características que reforçam o potencial produtivo da nova genética”, destaca Gressler.
O dirigente ressalta ainda a capacidade de adaptação da raça a diferentes regiões do país. Embora tenha forte aptidão para o Nordeste, a Berganês também pode apresentar bom desempenho no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, por desenvolver uma lanugem de proteção herdada da Bergamácia, característica que favorece a adaptação aos períodos de frio.
Gressler afirma que a raça pode contribuir tanto para a produção comercial quanto para cruzamentos industriais. “O desempenho produtivo e a rusticidade tornam a Berganês uma alternativa viável para criadores interessados em melhorar os índices de produção de carne ovina no país”, afirma.
Para o presidente da Arco, o Brasil passa a contar com mais uma alternativa genética voltada à produção de carne ovina. A entidade deve iniciar os trabalhos de registro e acompanhamento genético dos animais a partir da homologação.




