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PISCICULTURA

Exportações da piscicultura nacional caem um terço no primeiro semestre

Do primeiro para o segundo trimestres, ao contrário, houve alta

28 julho 2026 - 15h32Por Embrapa Pesca e Aquicultura
Exportações da piscicultura nacional caem um terço no primeiro semestre

Entre janeiro e junho de 2026, as exportações de produtos da piscicultura brasileira caíram 34% em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso aconteceu mesmo diante de uma recuperação entre os dois trimestres de 2026, com as exportações do período entre abril e junho 15% maiores do que aquelas entre janeiro e março. Ou seja, apesar de uma recuperação nos últimos meses, os índices de exportações do setor permanecem menores do que aqueles registrados antes do início do chamado tarifaço dos Estados Unidos.

O pesquisador Manoel Pedroza, da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), acompanha regularmente os números da piscicultura nacional. Ele contextualiza o momento: “o tarifaço dos Estados Unidos foi sem dúvida o principal motivo que levou à queda das exportações da piscicultura nesse primeiro semestre de 2026 em comparação com 2025. Mesmo com a redução da tarifa de importação imposta por aquele país em fevereiro de 2026, de 50% para 10%, as exportações ainda não retomaram o patamar de vendas de 2025”. E emenda afirmando que “apesar dos produtos de tilápia (à exceção do filé congelado) não terem sido afetados pela recente tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil no mês de julho, ainda existe um certo clima de insegurança que impacta a confiança das empresas exportadoras”.

Considerando os meses, março foi o destaque nas exportações, com U$ 5 milhões, seguido por junho, quando houve U$ 4,7 milhões. Ao todo, o primeiro semestre deste ano movimentou U$ 23,3 milhões em valores exportados pela piscicultura nacional. Em termos de categorias de produtos, os mais vendidos para o exterior nos seis primeiros meses deste ano foram os filés frescos ou refrigerados, que apresentam maior valor agregado. Como esperado, a tilápia foi a espécie mais exportada em ambos os trimestres de 2026 e, portanto, também no semestre. Entre abril e junho, movimentou 95% em valores de exportação e 91% em toneladas.

Vietnã

Um mercado que tem chamado a atenção nos últimos meses é o Vietnã, de onde o Brasil tem regularmente importado tilápia. Após crescerem até março, desde abril essas importações vêm caindo, mas ainda não configurando uma tendência, de acordo com Manoel. “Apesar das importações terem apresentado queda durante os últimos três meses (abril, maio e junho), ainda não é possível afirmar que se trata de uma tendência. No entanto, é possível que essa queda seja em parte reflexo das ações de restrição às importações implementadas por alguns estados brasileiros, como Santa Catarina e Pernambuco”, explica.

E algo inédito aconteceu no segundo trimestre deste ano: o Brasil teve um pequeno volume de tilápia exportado para o Vietnã, quando normalmente é o inverso que ocorre. De acordo com o pesquisador, “nesse período, foram exportadas 50 toneladas de filé de tilápia congelado para o Vietnã, o que equivale a dois contêineres. Isso é uma operação atípica, pois o Vietnã tem sido o grande exportador de tilápia para o Brasil - e não importador”. E por que isso pode ter acontecido? Ainda segundo Manoel, “considerando que alguns estados brasileiros têm implementado medidas para restringir a entrada de tilápia importada do Vietnã, é possível que essas exportações sejam devoluções de produtos que não puderam ser desembarcados e por isso foram reexportados”.

O boletim é resultado do projeto BRS Aqua. Coordenado pela Embrapa, tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA / MPA) e da própria Embrapa, contando ainda com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).