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REPORTAGEM

Agro vive uma 'tempestade perfeita', diz senadora Tereza Cristina

Tereza Cristina: Barreiras implementadas pela UE afetam a imagem do agro brasileiro no mundo

15 setembro 2026 - 13h37Por Publicado pelo UOL, em 15 de setembro de 2026
Agro vive uma 'tempestade perfeita', diz senadora Tereza Cristina

O agro brasileiro vive uma tempestade perfeita. Essa é a avaliação da senadora Tereza Cristina (PP) quando é perguntada sobre a realidade atual de um setor que sempre acompanhou de perto, antes e depois de comandar a pasta da Agricultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O que forma essa tempestade perfeita? Na opinião da senadora, recentemente cotada para ser a companheira de chapa do candidato Flávio Bolsonaro (PL), o acumulo de diversas situações: secas, enchentes, queda dos preços das commodities, taxas de juros elevadas para produtores que apelam ao financiamento bancário, oscilações cambiais, e a queda do percentual de produtores que contam com algum tipo de seguro.

Parte desse cenário foi mostrado por uma reportagem especial do UOL sobre o drama da inadimplência no agro, que em julho chegou a R$ 48 bilhões, 2.300% acima dos R$ 2 bilhões registrados cinco anos antes. A reportagem mostrou que a taxa de inadimplência saltou de 0,54% para 5,63% no período.

"O agro vive uma tempestade perfeita, ela chegou. Tivemos secas e enchentes no Rio Grande do Sul, seca em vários lugares do Brasil; temos uma taxa de juros de 15% e o que chega para o produtor agropecuário é mais de 18% ou 20%; os preços das commodities tiveram uma baixa e não voltaram aos patamares de 2020; o problema do dólar, porque quando você faz a sua safra você faz com um dólar e quando você vende se esse dólar cair você perde", enumerou a senadora. E acrescentou: "o produtor rural brasileiro não tem seguro rural, este governo não estimulou, muito pelo contrário. O seguro que já era uma coisa pífia ficou pior ainda. Nós tínhamos 14% de cobertura de seguros nas lavouras brasileiras e hoje temos menos de 3%."

Os dados sobre a crise de inadimplência do agro não surpreenderam Tereza Cristina, uma das ex-ministras do governo Bolsonaro que o candidato do PL costuma consultar para alguns temas — não apenas em matéria de agricultura.

A reação dos bancos, que ajustaram os contratos de financiamento rural para tornar mais fácil a execução de garantias caso as dívidas não sejam pagas, também está sendo acompanhada pela senadora, que se preocupa pelas futuras safras brasileiras.

"O banco quer proteger o capital próprio. Então, quem está endividado vai piorar, porque não tem acesso, vai para o mercado pegar dinheiro com agiota ou pegar dinheiro com as revendas que já também não estão dando porque elas começaram a ficar com problemas. Vai virar uma bola de neve maior ainda", disse Tereza Cristina.

Barreiras europeias
A senadora também vem monitorando com preocupação as barreiras sanitárias aplicadas pela União Europeia (UE) a produtos do agro como carne bovina, aves, pescados e mel. O Brasil continua esperando que a UE retire os os produtos da lista dos barrados para entrar no mercado europeu por descumprimento do regulamento sobre uso de antimicrobianos.

Foi enviada uma missão de auditoria ao Brasil, que poderia emitir um relatório nas próximas semanas sobre aves e mel. Mas, no caso do gado, a demora será maior porque a UE considera o tempo de vida do animal como um fator essencial para levantar as barreiras.

"Nesse período de pelo menos dois anos vamos perder mercado para outros países, principalmente do Mercosul", lamentou a senadora.

Na visão da ex-ministra, as barreiras implementadas pela UE afetam a imagem do agro brasileiro no mundo. "E se outros países seguirem os europeus?", perguntou Tereza Cristina.

"Eles [os europeus] já vinham avisando ao Brasil. Tanto é que a Argentina e o Uruguai fizeram de uma maneira diferente um ano antes, retirando alguns antimicrobianos. O Brasil deixou para fazer em cima da hora. A responsabilidade é dos frigoríficos e do governo, que devia ter atuado de maneira mais forte antecipadamente. Demoraram demais para tomar a medida, deixaram para maio desse ano, quando os outros países já tinham feito isso o ano passado".

Dentro do governo, a ala diplomática sustenta que todos os avisos foram dados. A expectativa agora está colocada na suspensão das barreiras para aves e mel. A situação do gado é mais complicada.