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MERCADO CHINÊS

Brasil atinge 80% da cota de carne para a China e está prestes a ser taxado em 55%

Tarifa vale para produtos exportados após país chegar a 1,1 milhão de toneladas. Pequim tem afirmado que a diversificação de fornecedores é parte de estratégia de segurança alimentar

27 julho 2026 - 12h32Por Portal DBO | Scot Consultoria
Brasil atinge 80% da cota de carne para a China e está prestes a ser taxado em 55%

O Ministério do Comércio da China afirmou que o Brasil atingiu na semana passada a marca de 80% da cota de carne bovina imposta por Pequim neste ano como medida de salvaguarda. A expectativa de empresas e organizações do setor é que o percentual seja maior e que a cota esteja até mesmo virtualmente esgotada, uma vez que os cálculos de Pequim não levam em consideração a carga já embarcada que ainda não chegou aos portos chineses.

Questionado sobre o tema, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, destacou as trocas comerciais totais entre os países. “A China está disposta a manter comunicação com todas as partes envolvidas, incluindo o Brasil, para ampliar uma cooperação econômica e comercial saudável e estável”, declarou.

No final de dezembro, Pequim impôs uma medida de salvaguarda determinando que países que ultrapassassem a cota estabelecida pelo país asiático para a carne bovina seriam taxados em 55%. A determinação, que passou a valer em janeiro, terá duração de três anos. O Brasil será taxado caso exceda 1,1 milhão de toneladas em 2026. Para se ter uma ideia, a China respondeu por 48% do volume total exportado pelo Brasil em 2025, com 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,9 bilhões.

O Brasil atingiu metade da cota em maio, quando o governo Lula já tentava negociar saídas. Como mostrou a Folha, a gestão tenta negociar com as autoridades chinesas para que redistribuam as cotas não utilizadas por outros países, mas até agora o pedido tem sido negado. A divulgação dos dados ocorreu dias antes da conversa do petista com o líder do regime chinês, Xi Jinping.

Os mandatários falaram por telefone na noite deste domingo (26), tratando principalmente de questões comerciais, como o acordo entre China e Mercosul. Os relatos do Planalto e da mídia estatal chinesa não indicam se a salvaguarda para a carne bovina foi um dos tópicos da conversa.

A China tem salientado com frequência que a diversificação de fornecedores é parte de sua estratégia para garantir a segurança alimentar, o que tem acendido o alerta no governo brasileiro e no setor agropecuário. Prestes a encarar o fechamento do país asiático para a carne bovina brasileira, o governo saiu atrás de compradores alternativos.

O nome que aparece primeiro é o dos Estados Unidos, onde a queda do rebanho e a demanda firme obrigam o país a buscar carne fora para se abastecer.