O fim de junho marcou o encerramento da sustentação dos preços do boi gordo no curto prazo, enquanto o início de julho vem consolidando esse movimento de baixa. Essa pressão decorre, principalmente, do aumento da oferta de animais terminados a pasto e da redução dos embarques de boi China, reflexo do menor interesse momentâneo dos importadores chineses pela carne bovina brasileira.
Na última semana, ganharam força rumores sobre a adoção de férias coletivas em diversos frigoríficos do país. Caso esse cenário se confirme, a tendência é de intensificação da pressão baixista, uma vez que a redução do ritmo de abates pode contribuir para o alongamento das escalas, mesmo diante da dificuldade das indústrias em recompor suas programações.
A análise é da Agrifatto, publicada em parceria com a Acrissul. Clique AQUI e veja na íntegra.
Refletindo esse movimento, o indicador DATAGRO recuou 2,56% na semana, encerrando o período cotado a R$ 328,56/@. No mercado futuro, os contratos também registraram desvalorizações, mais intensas nos vencimentos de curto prazo. O contrato de julho (N26) caiu 1,89%, fechando a R$ 327,70/@, enquanto o vencimento de agosto (Q26) recuou 1,24%, encerrando a R$ 331,85/@.
A partir de setembro, as perdas foram mais moderadas: o contrato de setembro (U26) registrou queda de 0,47%, fechando a R$ 335,90/@, e o contrato de outubro (V26) recuou 0,35%, encerrando a R$ 344,25/@. O comportamento da curva futura também evidencia mudanças nas expectativas do mercado.
Embora os contratos de curtíssimo prazo ainda indiquem pressão sobre os preços físicos, a magnitude dos deságios já é significativamente menor, sugerindo que grande parte do movimento de baixa pode estar precificada.
Essa percepção se reforça ao observar o contrato de novembro, que encerrou a semana negociado com um ágio de R$ 20,89/@ em relação ao mercado físico, indicando expectativa de recuperação dos preços ao longo do segundo semestre. A última semana foi marcada por um aumento de 4,01% no volume de contratos em aberto, acompanhado de uma redução no preço médio dos contratos futuros.
A média semanal encerrou em R$ 340,60/@, representando queda de 0,54% em relação à semana anterior. A desvalorização foi concentrada, principalmente, nos vencimentos de julho e agosto, onde predominou o fluxo vendedor associado às operações de hedge. Esse movimento reforça a percepção de maior pressão sobre o mercado físico no curto prazo. Por outro lado, nos vencimentos de médio e longo prazo, o fluxo comprador voltou a ganhar força, com destaque para o contrato de novembro.
Esse vencimento registrou um aumento de 4,30% no número de contratos em aberto e apresentou uma desvalorização significativamente menor do que a observada nos contratos de julho e agosto, sinalizando que o mercado mantém uma perspectiva mais otimista para os preços no segundo semestre.
O cenário atual indica a consolidação do movimento de baixa no curto prazo, enquanto essa pressão perde intensidade nos vencimentos de médio e longo prazo. Dessa forma, nosso termômetro permanece no nível 3, refletindo um mercado ainda pressionado pelo fluxo vendedor nos vencimentos mais próximos, mas sustentado por uma estrutura de preços mais otimista para os contratos de prazo mais longo.
Exportações de carne crescem 161% em 10 anos
Após junho registrar avanço mensal de 6,77%, sendo o terceiro mês consecutivo de alta, atingindo 279,68 mil toneladas embarcadas, o Brasil totalizou 1,50 milhão de toneladas exportadas no primeiro semestre do ano, avanço anual de 16,20% e um novo recorde para o período.
Esse volume resulta em uma média de 250 mil toneladas por mês, superando em 161% os embarques de 2016, quando a média mensal foi de 95 mil toneladas no primeiro semestre. Não apenas em volume, mas também em preços, 2026 tem sido um ano de destaque.
Com um novo recorde de US$ 6.078 por tonelada de carne bovina in natura no primeiro semestre, houve valorização de 19,18% frente ao mesmo período de 2025 e de 0,52% em relação ao recorde anterior, registrado em 2022.
A abertura de novos mercados contribuiu para esse maior escoamento da carne bovina, atingindo um novo recorde de 135 diferentes destinos no primeiro semestre, crescimento de 4,65% frente a 2025, o equivalente a seis novos mercados, e de 58,82% em relação a 2016, o equivalente a 50 novos destinos.
Com volume recorde e número recorde de destinos, o volume médio embarcado por mercado também atingiu um novo recorde, alcançando 11,08 mil toneladas por destino, avanço anual de 11,04%.




