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SANIDADE ANIMAL

Um ano após certificação, exportações de carne bovina avançam 46% em MS

Estado ampliou mercados, volume embarcado e receita com status livre de aftosa sem vacinação

08 junho 2026 - 12h07Por Campo Grande News
Um ano após certificação, exportações de carne bovina avançam 46% em MS

Mato Grosso do Sul completou recentemente, em 29 de maio, um ano com o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal). Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram aumento no número de mercados atendidos, no volume exportado e na receita obtida com as vendas internacionais de carne bovina. A comparação considera os acumulados de janeiro a maio de 2025, antes do reconhecimento internacional, e do mesmo período de 2026, já sob o novo status sanitário.

Segundo o MDIC, houve crescimento de 46,8% na receita, que saltou de US$ 631,4 milhões para US$ 927 milhões; de 23,1% no volume exportado, que passou de 129,7 mil toneladas para 159,7 mil toneladas; no número de parceiros comerciais, que avançou de 68 para 78 países, aumento de 14,7%; e também no preço médio da carne vendida, que passou de US$ 4,87 por quilo para US$ 5,80 por quilo.

Na análise foram contabilizados os dados dos seguintes produtos: carnes desossadas de bovino, congeladas; carnes desossadas de bovino, frescas ou refrigeradas; outras miudezas comestíveis de bovino, congeladas; carnes de bovinos salgadas, em salmoura, secas ou defumadas; línguas de bovino, congeladas; rabos de bovino, congelados; fígados de bovino, congelados; preparações alimentícias e conservas da espécie bovina; e outras peças não desossadas de bovino, congeladas.

A comparação dos dados de 2025 com os de 2026 revelou que a China se manteve como principal compradora da carne bovina do Estado e mais do que dobrou as aquisições, com crescimento de 114,7%, passando de compras de US$ 174,5 milhões na parcial do ano passado para US$ 374,6 milhões neste ano.

Na segunda posição aparecem os Estados Unidos. O país também registrou incremento expressivo nas aquisições entre os dois anos, passando de US$ 130 milhões para US$ 185,2 milhões, aumento de 41,9%, conforme os dados do MDIC.

Percentualmente, entretanto, o maior avanço ocorreu nas vendas para a Rússia, que tiveram ampliação de 292,9%, saltando de US$ 3,7 milhões para US$ 14,4 milhões.


Recebimento do certificado de reconhecimento internacional de saúde dos rebanhos, feito em Paris (França) em 29 de maio de 2025 (Foto: Divulgação Semadesc)
O presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Guilherme Bumlai, comentou que os números precisam ser analisados sob dois aspectos. No que se refere à quantidade de parceiros comerciais e ao volume exportado, segundo ele, os dados refletem a expectativa da cadeia produtiva da carne em relação ao incremento que a conquista do status sanitário poderia representar para o setor.

Os indicadores, conforme ele, consolidam Mato Grosso do Sul como um grande exportador de carne bovina em âmbito nacional e mundial, destacando-se pela competitividade produtiva. Bumlai alertou, entretanto, que disputas comerciais, nas quais medidas protecionistas e econômicas travestidas de ações sanitárias têm afetado o mercado, requerem atuação mais robusta por parte do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).

No que se refere ao incremento financeiro das exportações entre 2025 e 2026, ele atribuiu o resultado a uma série de fatores, entre eles o ciclo pecuário, com retenção de matrizes, o que gerou escassez de animais para abate e elevou os preços do boi gordo e do bezerro, além da forte demanda internacional impulsionada pelos Estados Unidos e pela China.

No caso dos Estados Unidos, o presidente do Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frio, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul), Régis Comarella, afirmou em diversas ocasiões ao Campo Grande News que a compra de carne brasileira foi impulsionada pela pior crise pecuária enfrentada pelo país em 75 anos. Segundo ele, a situação provocou forte redução do rebanho norte-americano em razão de fatores como seca, altos custos de produção e o próprio ciclo pecuário.

Sobre a China, Comarella comentou nesta segunda-feira (8) que o estabelecimento, pelo país, de uma cota anual para importação de carne bovina brasileira em 2026, de 1,1 milhão de toneladas, mantida a tarifa de 12%, pressionou o setor frigorífico brasileiro a acelerar os embarques no primeiro semestre, fazendo com que as exportações disparassem.

“Tanto que a maior parte desse aumento foi direcionada para a China e para os Estados Unidos”, afirmou.

Com a demanda aquecida no mercado externo e o ciclo pecuário, os preços também aumentaram, segundo ele.

Com a proximidade do preenchimento da cota chinesa, o que deve ocorrer até o fim de junho, e a possibilidade de as exportações passarem a ser taxadas em 55%, o setor, conforme Bumlai e Comarella, aguarda uma definição por parte da China, o que deve balizar os preços do mercado nos próximos meses

Entretanto, ambos apontam que o recente reconhecimento, por parte da própria China, do status da carne brasileira livre de aftosa sem vacinação, assim como já ocorreu com o Chile, indica um potencial muito grande de incremento das exportações da carne sul-mato-grossense para os dois países.