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Trigo brasileiro pode ganhar com retaliação aos Estados Unidos

09 março 2010 - 00h00Por Valor Econômico.

A decisão do governo brasileiro de retaliar produtos dos Estados Unidos com autorização da Organização Mundial do Comércio (OMC) por conta de subsídios ilegais aos produtores americanos de algodão pode acabar contribuindo para que o Brasil alcance uma safra de grãos recorde em 2010. A explicação é que o trigo foi incluído na lista de produtos que terão as alíquotas de importação elevadas e, como o Brasil é dependente da produção externa, isso pode incentivar os agricultores do país a aumentar o investimento no cereal.

O gerente de agricultura do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mauro André Andreazzi, ponderou que, até o momento, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado hoje pelo IBGE, não aponta para uma safra recorde. De acordo com os dados de fevereiro, o instituto projeta uma safra de 145,1 milhões de toneladas de grãos, 8,5% maior que os 133,8 milhões do ano passado, mas ainda 0,6% inferior ao recorde de 146 milhões de toneladas de 2008.

Segundo Andreazzi, para alcançar um novo patamar recorde, seriam necessários cerca de 300 mil hectares a mais de plantações de trigo em relação a 2009, com uma produtividade de 3 toneladas por hectare para um novo recorde. O plantio do produto acontece entre maio e junho e outra cultura que pode contribuir para um novo recorde é o feijão, cuja segunda safra é estimada em 1,345 milhão de toneladas, um volume 5,9% inferior ao do ano passado. A terceira safra é plantada entre abril e junho.

O técnico do IBGE ressaltou que ainda não foi verificado um interesse no aumento da produção de trigo por parte dos agricultores brasileiros. Andreazzi explicou que apenas a partir dos próximos levantamentos será possível verificar se realmente a decisão do governo brasileiro influenciou a decisão de plantio de trigo. No ano passado, a produção nacional do produto foi de 4,942 milhões de toneladas, enquanto para este ano a expectativa é de um aumento de 9,4%, para 5,407 milhões de toneladas. Ainda assim, bem abaixo do consumo brasileiro, que no ano passado foi de 10,667 milhões de toneladas.

"Em março, ainda não dá para notar um interesse de aumentar o plantio [de trigo]" , frisou Andreazzi.

O gerente substituto do LSPA, Paulo Monassa, explicou que a Argentina supre a maior parte da necessidade brasileira, com vendas de cerca de 3,5 milhões a 4 milhões de toneladas anuais para o país. O restante é obtido, principalmente, nos Estados Unidos e Canadá.

"O trigo é uma cultura de alto risco, que sofre com geadas, seca e, na época da colheita, com o risco de chuva. Isso pode tornar o produto impróprio para a transformação em farinha, o que o faz concorrer com o milho na ração animal" , revelou Monassa, acrescentando que o preço atual do produto está em linha com o obtido no ano passado, entre R$ 22 e R$ 24 a saca de 60 quilos.