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Status livre de aftosa sem vacinação não chega este ano para o PR

22 junho 2010 - 00h00Por Folha de Londrina, por Andréa Bertoldi.

Falta de pessoal e a necessidade de adequação das barreiras sanitárias são os principais entraves; muitas dúvidas permanecem sem respostas

Curitiba - Dificilmente o Paraná vai conseguir o reconhecimento de área livre de febre aftosa sem vacinação este ano. Apesar do esforço, o Estado não conseguirá cumprir todas as adequações exigidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) até novembro quando acontece a segunda etapa da campanha de imunização deste ano. Os principais pontos que não permitem que isso ocorra hoje são a falta de pessoal e a necessidade de adequação de todas as barreiras sanitárias e ainda a construção de duas novas.

Ontem, durante uma reunião do Conselho de Sanidade Animal (Conesa), órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) representantes de mais de 20 entidades tentaram esclarecer dúvidas sobre o processo, mas muitos voltaram para casa sem respostas. A avaliação do momento é que ainda não há data para suspender a vacinação dos animais.

As principais dúvidas da Sociedade Rural do Paraná ainda são os impactos econômicos que essa medida terá para o produtor e os riscos existentes. ""O diálogo precisa ser mais aberto e detalhado"", disse o presidente da entidade, Gustavo Andrade e Lopes.

O chefe do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Seab, Marco Antonio Teixeira Pinto, disse que a secretaria é que será responsável pela fiscalização em parceira com a iniciativa privada, ou seja, com os produtores. Hoje, há 394 Conselhos Municipais de Sanidade Agropecuária no Estado que podem ajudar neste trabalho.

Um entrave ainda é a necessidade de pessoal. Em 2006, o governo do estado realizou um concurso para médicos veterinários e técnicos agrícolas. Dos 63 que foram aprovados no concurso foram contratados 44. A Seab precisa de 65 médicos e 401 técnicos agrícolas. Foram chamados 48 médicos, mas apenas 15 se apresentaram. Do total de técnicos apareceram 25%.

O chefe do Defis disse que serão necessários investimentos no futuro devido ao pedido que o Estado pretende fazer ao Ministério, mas não tinha uma estimativa de valor porque ainda não foi realizado o orçamento do planejamento anual.

Em relação ao trânsito de animais, não será permitida a entrada no Estado de bovinos e bubalinos vacinados a partir do momento que o Paraná conseguir o status de área livre sem vacinação e isso, segundo ele, será controlado por meio das barreiras instaladas nas regiões de fronteira.

Para Teixeira Pinto, caso ocorra algum impacto negativo, o grande prejudicado seria o produtor que teria recursos do Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Fundepec) apenas para situações de emergência, como o surgimento de um novo foco, por exemplo. Hoje, o fundo conta com um caixa de R$ 30 milhões.

Principais impactos

Os principais impactos econômicos positivos seriam para a suinocultura, em um primeiro momento. A obtenção do status também ajudaria muito a avicultura. A carne bovina poderia ser exportada para mercados mais interessantes como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.

As ações para manter o status, na opinião do chefe do Defis, dependem da vontade dos produtores, da criação de um sistema cada vez melhor de defesa, da vigilância efetiva e de investimentos na área.

O consumidor teria uma melhora na qualidade e poderia ter aumento de preços com a valorização do produto, o que não ocorreria de imediato. Segundo ele, a reunião teve como objetivo fazer uma espécie de ""prestação de contas"" do que o Estado já conseguiu realizar.

Quando o Paraná estiver pronto para suspender a vacinação, o Mapa deverá realizar uma auditoria. Caso esteja tudo certo, após um ano é possível realizar a solicitação para a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que pode demorar até dois anos para apresentar o resultado.

O secretário estadual de Agricultura, Erikson Camargo Chandoha, disse que o Estado vai precisar ainda de uma estruturação das barreiras sanitárias. A ideia é fazer a licitação das obras onde é possível e, onde não for, realizar parceria com a iniciativa privada. Hoje, há 33 barreiras sendo que 60% delas estão adequadas e o restante precisa de reforma e restruturação. Além disso, será necessário construir mais duas barreiras. A parte que já está pronta é informatização, compra de veículos e móveis.