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Sem margem e com queda nas exportações o que esperar para a arroba do boi gordo?

04 agosto 2016 - 14h24Por Scot Consultoria
Sem margem e com queda nas exportações o que esperar para a arroba do boi gordo?

Confira a entrevista na íntegra:

Sidnei Maschio: Hyberville, só para deixar bem esclarecido, caso alguém ainda não souber, como é que vocês calculam essas margens que a gente vive falando aqui, tanto para o frigorífico que vende a carne com osso quanto para o estabelecimento que faz a desossa?

Hyberville Neto: O Equivalente Scot Carcaça e o Equivalente Desossa são indicadores que aferem a receita com todos os produtos do abate de bovinos. Consideram a venda, no atacado em São Paulo, dos miúdos, couro, sebo e demais derivados, além da carcaça ou carne desossada, dependendo do caso.

A relação entre os equivalentes (receita da indústria) e o preço do boi gordo dá uma boa ideia do resultado da indústria. Vale ressaltar que outros itens de custo, como eletricidade, frete e mão de obra, não são considerados, embora representem parcela menor que o boi gordo no total.

Com a comparação destes indicadores com as médias históricas temos uma ideia de como está a situação dos frigoríficos. Ou seja, quanto o cenário comporta uma alta do boi gordo, em momentos de oferta curta, ou se a indústria deve pressionar mais as cotações da matéria-prima por estar com margens mais apertadas e dificuldade no escoamento, o que acaba reduzindo a demanda por boiadas.

Sidnei Maschio: Começando então pelo caso menos grave, como está hoje a situação do frigorífico que faz a desossa, e qual é a média histórica da margem de comercialização deste ramo da indústria?

Hyberville Neto: Para um frigorífico que faz desossa, a margem de comercialização está em 11,8%. No início de 2016 estava em 24,7%. A queda desde então foi de 12,8 pontos percentuais. A média desde o início do acompanhamento, em 2007, é de 20,2%.

Sidnei Maschio: No caso da indústria que não faz desossa, a gente já falou na abertura dessa prosa que a margem tá em zero vírgula três por cento, e falta então saber qual é a média normal pra este tipo de frigorífico, não é? De quanto é essa média, Hyberville?

Hyberville Neto
: A média neste caso é de 15,1% e hoje está próxima de zero. Desde o começo do ano houve redução de 16,1 pontos percentuais. A margem próxima de zero indica que a receita estimada da indústria com todos os produtos do abate é próxima ao preço pago pelo boi gordo, que, embora seja o principal, não é o único custo da indústria.

Sidnei Maschio: A saída natural do dono do frigorífico para desapertar a sua situação seria mandar “descer o facão” na cotação do boi gordo, não é? Pois ele já deu essa ordem, mas o preço está caindo menos do que ele queria e gostaria. Por que, Hyberville?

Hyberville Neto: A disponibilidade de boiadas não tem permitido que as cotações do boi gordo cedam de maneira mais forte. Isto tem gerado estabilidade nos preços de referência, apesar dos testes de valores menores. Em Araçatuba-SP, por exemplo, o preço do boi gordo está estável desde o final de junho.

Sidnei Maschio: A saída de gado do confinamento pode melhorar a oferta de animais para abate e ajudar o frigorífico a derrubar o preço do boi com um pouco mais de força?

Hyberville Neto: O aumento gradativo da oferta de animais confinados tende a colaborar com as compras da indústria, mas não é esperado um volume expressivo no primeiro giro do confinamento, devido à situação de pouca atratividade observada no começo do ano.

Nos últimos meses os resultados projetados para quem ia fechar as boiadas melhorou, o que pode colaborar com a oferta de animais de cocho mais para o final do ano.

Em geral, não é esperado um aumento expressivo da oferta de boiadas.

Sidnei Maschio
: Depois das últimas altas no custo de produção vai ter gado confinado para abastecer o mercado de outubro para frente?

Hyberville Neto: Houve melhorias na relação de troca nos últimos meses, o que acabou melhorando a atratividade do confinamento. Com isto, é esperada uma oferta de animais de cocho mais expressiva no segundo giro.

Sidnei Maschio: Se a oferta de gado terminado não melhorar, a lógica seria um aumento no preço da carne, mas ninguém está conseguindo enxergar a possibilidade de uma melhora no consumo daqui para o final do ano. Hyberville, o que deve acontecer com o preço do boi?

Hyberville Neto: Esperamos um mercado “brigado”, com oferta modesta de boiadas e demanda lenta por carne. Mais para o final do ano a tendência é de alguma melhoria, sazonal, no consumo, mas também devemos observar um volume maior de animais de cocho.

Ou seja, a oferta pode aumentar um pouco, com alguma melhoria da demanda, mas o cenário geral de mercado travado pode se manter.

Sidnei Maschio: Do final do mês passado para cá, a exportação, que vinha sendo motivo de alegria para os grandes frigoríficos brasileiros, pegou a encurtar, por conta da desvalorização do dólar em relação ao real. E agora, Hyberville, é para ficar com mais medo ainda?

Hyberville Neto:
Se as exportações continuarem no ritmo que tem sido observado este mês, devemos ter a primeira queda nas comparações anuais.

É uma via de escoamento da produção, que vinha em um ritmo melhor no primeiro semestre. O mercado interno é mais importante, mas os embarques vinham ajudando no resultado das indústrias e na demanda por boiadas.

Sidnei Maschio:
No meio desse desconjuntamento geral do mercado, o que o pecuarista deve fazer para se proteger?

Hyberville Neto:
As recomendações para todas as épocas são fazer contas, saber o custo de produção, avaliar o retorno de investimentos.

Mas, no caso especifico das incertezas de mercado observadas neste ano, há as possibilidades de uso das ferramentas de proteção de preços (termo, opções e contratos futuros).

As cotações futuras já estiveram mais atrativas, mas se ainda geram resultados para o produtor devem ser consideradas, ao menos para parte da produção.