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CRÉDITO RURAL

Plano Safra amplia investimentos, mas reduz capacidade real de financiamento

Redução do crédito para custeio exige atenção dos produtores na safra 2026/2027

01 julho 2026 - 13h05Por Aprosoja-MS
Plano Safra amplia investimentos, mas reduz capacidade real de financiamento

O lançamento do Plano Safra 2026/2027 trouxe um volume recorde de recursos para médios e grandes produtores rurais: R$525 bilhões. Apesar do aparente aumento, a análise da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) indica que o crescimento não acompanha a inflação do período, o que resulta em uma redução do poder de compra do crédito disponível.

Segundo levantamento da equipe econômica da Aprosoja/MS, enquanto os recursos anunciados aumentaram 1,7%, a inflação acumulada foi de aproximadamente 4,72%. Com isso, o Plano Safra registra uma perda real de cerca de 2,9% na capacidade de financiamento quando comparado ao ciclo anterior.

Além do efeito da inflação, a composição dos recursos também mudou. O montante destinado ao custeio e à comercialização, utilizado pelos produtores para financiar despesas da safra, como aquisição de insumos, sementes, fertilizantes, defensivos e demais despesas para custeio da lavoura, foi reduzido em 7,2%, o equivalente a R$29,8 bilhões.

Por outro lado, os recursos para investimento aumentaram 38,1%, priorizando linhas voltadas à armazenagem, energia renovável, irrigação, inovação e modernização das propriedades rurais.

Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o Plano Safra continua sendo um importante instrumento de apoio ao setor, mas sua efetividade depende da disponibilidade do crédito ao longo da safra.

"O anúncio dos recursos é importante para o planejamento do setor, mas o produtor precisa olhar além dos valores divulgados. É fundamental que o crédito esteja disponível no momento em que for necessário, com condições que permitam financiar a produção e manter a competitividade da agricultura brasileira".

De acordo com o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a análise dos números exige considerar o efeito da inflação sobre os recursos anunciados.

"Quando descontamos a inflação, observamos que o crescimento nominal não representa um ganho real na capacidade de financiamento. Além disso, a redução dos recursos destinados ao custeio pode limitar o acesso dos produtores ao crédito utilizado para financiar despesas da safra, como aquisição de insumos e demais custos operacionais".

Outro aspecto é a mudança na distribuição dos recursos. Embora o aumento destinado aos investimentos represente uma oportunidade para produtores que pretendem ampliar a capacidade de armazenagem ou modernizar suas propriedades, esse crédito atende a uma finalidade diferente do custeio da produção.

"O aumento dos recursos para investimento é positivo, principalmente para projetos estruturantes que aumentam a eficiência das propriedades rurais. Entretanto, ele não substitui a necessidade de crédito para custeio, que é essencial para garantir o plantio e a condução da safra. O equilíbrio entre essas modalidades é importante para atender às diferentes demandas dos produtores", destaca Jorge Michelc.

As taxas de juros foram reduzidas na maior parte das linhas de crédito, acompanhando a queda da Selic. No entanto, a participação dos recursos subsidiados pelo Tesouro Nacional diminuiu, ficando em torno dos 24,8% do valor total de investimento, fazendo com que uma parcela maior do financiamento, 75,2%  dependa de recursos das instituições financeiras e das condições de mercado.

"A redução das taxas de juros é uma notícia positiva, mas é preciso olhar também para a origem desses recursos. Com uma participação menor do Tesouro Nacional, uma parcela maior do crédito dependerá das instituições financeiras. Isso pode influenciar a disponibilidade e taxas dos recursos ao longo da safra", explica o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.

Para os médios produtores, enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o Plano Safra prevê aumento de 5,1% no volume de recursos e redução da taxa máxima de juros de 10% para 9% ao ano.

Na avaliação da Aprosoja/MS, mais do que acompanhar o volume anunciado, será fundamental observar a velocidade de liberação dos recursos, a disponibilidade do crédito nas instituições financeiras e as condições efetivas de contratação ao longo da safra 2026/2027.