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Mesinha de contenção para bezerros

05 junho 2018 - 23h26Por DBO Rural

 Deitado de lado – pescoço, patas traseiras e dianteiras devidamente imobilizadas por travas –, o bezerro recém-nascido aguarda pelo primeiro manejo na “mesinha de contenção para neonatos”. A exemplo do brete, equipamento projetado para imobilizar bovinos individualmente, essa invenção do produtor mato-grossense Nilson José Michels facilita o manejo, garante a segurança do operador e confere qualidade à operação. “Para que a tatuagem aplicada na orelha do animal, por exemplo, fique bem feita, é preciso mantê-lo imóvel”, afirma Michels, que criou a mesinha para uso em sua fazenda, a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, MT.

Além de garantir que o manejo dos bezerros seja feito em local limpo e seco, o equipamento economiza mão de obra na maternidade. Antes, o trabalho tinha de ser feito por dois funcionários, um segurava o bezerro deitado no chão e o outro fazia o serviço. Agora somente uma pessoa realiza todos os procedimentos: pega o animal, coloca na mesinha, cura seu umbigo, tatua sua orelha e aplica o endectocida. Outra vantagem do equipamento feito em madeira é o conforto conferido ao peão, que trabalha de pé. “Imagine ter de se curvar para fazer o manejo das crias durante toda a estação de nascimentos, quando se tem de 40 a 50 parições por dia?”, frisa Michels.
 
Componentes da mesinha 
 
O produtor diz que já havia visto prática semelhante em outra fazenda. O bezerro era colocado em cima de uma mesa e tinha as patas amarradas com “peias” (tiras de corda). “Achei muito trabalhoso”, relata. Disposto a facilitar o trabalho e inspirando-se nos troncos de contenção individual, Michels foi até uma fábrica de carrocerias da região e encomendou três pares de travas ou “guilhotinas”, que fixou na mesa (veja detalhe na foto). Cada par é composto por duas peças de madeira complementares, que, sobrepostas, formam um buraco ao centro, onde podem ser colocadas a cabeça (espaço maior), as patas traseiras e as dianteiras do animal. A parte de cima das travas é móvel, podendo ser abaixada ou levantada. Para prender a cabeça e os membros do bezerro, basta encaixar o ferrolho que junta os componentes das travas. Para soltar o animal, basta retirar esse dispositivo após a realização do serviço.
 
Para definir a posição correta dos três conjuntos de travas ou guilhotinas, que são parafusados na mesa, o produtor colocou um bezerro deitado sobre elas para fazer moldes e marcar os pontos de fixação. Outro cuidado tomado por ele foi ajustar, com o auxílio de uma grosa, a concavidade dos encaixes de cada uma das peças, adequando-as à espessura da cabeça e membros dos animais. “É para prender, não apertar”, ensina. A mesinha fica dentro de uma remanga anexa ao piquete-maternidade e tem as seguintes dimensões: 77 cm de altura, 1,1 m de largura e 1,6 m de comprimento.
 
Disposição da mesinha
 
O manejo é simples e rápido. A operação, incluindo cura de umbigo, tatuagem e aplicação do endectocida, dura pouco mais de dois minutos. Michels utiliza a mesinha há cinco anos, mas terá de fazer alguns ajustes para a atual estação de nascimentos, que começou em agosto. É que, a partir deste ano, a fazenda abriu mão do pasto maternidade. As vacas estão parindo dentro dos piquetes de pastejo rotacionado. Leonardo Souza, diretor da Qualitas Melhoramento Genético, que dá consultoria à propriedade, afirma que essa mudança traz uma série de vantagens. “É menos estressante para a vaca, que pode parir no pasto onde está habituada, e para o bezerro recém-nascido, que não precisa ser deslocado da maternidade até o rotacionado”.
 
Outro benefício está no menor risco de doenças, uma vez que o piquete maternidade, por concentrar grande número vacas, e, consequentemente, de excrementos e restos placentários, é um ambiente propício ao desenvolvimento de agentes patogênicos. “Além disso, a oferta de comida é muito melhor no rotacionado. Na maternidade, o pasto costuma estar muito degradado”, complementa. O produtor já estuda formas de transportar sua mesinha para usá-la na nova configuração de manejo reprodutivo. “Ela terá de ser dobrável e móvel. Estou ‘bolando’ algo assim”, diz.