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Ipea promove discussão sobre os Brics

15 abril 2010 - 00h00Por Folha de S. Paulo, por Gabriel Baldocchi.

Os bens primários, como carne, produtos à base de óleo e semente, e os recursos naturais são os itens mais competitivos na pauta de exportações brasileira, aponta estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre a competitividade dos Brics (Brasil, Índia, China e Rússia).

Segundo documento divulgado nesta quarta-feira, os produtos russos com melhor preço no mercado global são as commodities energéticas, como gás natural e petróleo. Já na China, o destaque é para os produtos com elevado nível de trabalho a partir dos quais o país consegue atingir menores preços por conta da mão de obra abundante e barata. A força de trabalho também é vantagem para a Índia, no país, os itens de maior competitividade externa são aqueles de menor sofisticação tecnológica, como chá e arroz.

O estudo também analisa o IDE (Investimento Direto Estrangeiro). O crescimento dos aportes russos em outros países o colocou no topo dos integrantes dos Brics neste quesito. A Rússia ocupa a 14ª posição entre os maiores investidores no mundo, e o principal destino é o grupo dos antigos países integrantes da União Soviética e a Europa.

A abertura do capital chinês a investimentos estrangeiros teve de passar pela aprovação do governo. A flexibilização das regras fez o IDE do país asiático crescer 60 vezes entre 1990 e 2008. O foco dos investidores chineses é buscar negócios em países que contribuam com o crescimento do mercado interno, como os de forte produção de commodities. Cerca de 80% do IDE chinês está concentrado em Hong Kong e paraísos fiscais, como as Ilhas Virgens.

As operações indianas no exterior foram marcadas pela alta alavancagem, com empresas adquirindo ativos superiores ao próprio patrimônio líquido. O fluxo anual de IDE subiu de US$ 1,7 bilhão ao ano de 2000 a 2005 para US$ 16 bilhões entre 2006 e 2008, com destaque para a área de TI (Tecnologia da Informação).

Representantes dos governos e pesquisadores dos países integrantes dos Brics discutiram nesta quarta-feira em Brasília questões comerciais relacionadas ao grupo. O encontro abre uma série de eventos agendados entre os representantes dos quatro países para a semana até o dia da Cúpula dos Brics, no próximo sábado (17/04).

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aproveitou a data de abertura do evento para divulgar a prévia do estudo sobre comércio exterior e investimento estrangeiro dos quatro países que integram o grupo. O momento da divulgação é pertinente por conta da discussão sobre a criação de uma moeda comum para os Brics, prevista para a sexta-feira. A ideia é buscar uma alternativa ao dólar nas negociações internas do grupo.

Brasília será palco de reuniões paralelas entre os representantes dos Brics até o final da semana. Os encontros variam desde discussões entre cooperativas do grupo até a de membros da área de segurança. As datas antecedem a 2ª Cúpula dos Brics, que reunirá os chefes de Estado na sexta-feira.