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É hora de refazer “estoques mais baratos” de boiadas, diz analista

09 março 2017 - 00h00Por Scot Consultoria

“Refaça o estoque da fazenda com animais “mais baratos” que devem estar disponíveis no mercado este ano”.

Esta e outras frases foram ditas por Alex Lopes, zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria, na excelente entrevista abaixo. Confira o bate papo na íntegra:

Scot Consultoria: Para iniciar nossa entrevista, gostaria que o senhor falasse um pouco sobre o que está preparando para o Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria?

Alex Lopes: Este é um ano para trazer alguns alertas ao pecuarista. Ano em que a programação de compra e venda, os desembolsos, enfim, a operação como um todo, precisa estar ajustada às condições de mercado. Em 2014, 2015 e até mesmo em 2016, os impactos de possíveis erros de planejamentos acabaram sendo “minimizados”, absorvidos, pelas condições do mercado.

Agora, trabalhar sem programação este ano, ou planejar de forma errada, mais do que em outras oportunidades, é um prato cheio para o prejuízo. E o confinamento, dentre todas as outras atividades da pecuária, é o que mostra mais condições de ser planejado, de começar a operação sabendo quase sempre qual resultado terá.

Portanto, apresentar a nossa visão sobre o que esperar para o mercado do boi gordo e dos animais de reposição em 2017 será o foco da apresentação no Encontro de Confinamento e Recriadores.

Scot Consultoria: Está definido, teremos um ano de preços menores para a arroba?

Alex Lopes: A situação está caminhando cada vez mais para isso. Para o pecuarista, para efeitos de planejamento, é bom ele ter isso como norte do mercado. A oferta deve ser maior. Mais vacas devem vir ao mercado com o prognóstico de preços menores para o bezerro. Isso já dará alívio para as compras das indústrias. Mais vacas descartadas é mais matéria-prima garantida. A única garantia que não temos é de melhora no consumo de carne. E é bom não apostar nisso.

Além disso, ficou muito boi magro e garrote no pasto que deveria ter ido para o cocho em 2016. Estes animais vão se somar à oferta regular de 2017. Mais uma ajuda para os compradores dos frigoríficos.

Portanto, ao pecuarista, quanto mais cautela melhor, este ano.

Scot Consultoria: Você falou em preços menores para o bezerro. Teremos mais oferta ou menos demanda? Outra coisa, a seca da estação de monta 2015 não deve reduzir o volume de animais no mercado este ano?

Alex Lopes: Teremos mais oferta e, dependendo do preço desta categoria e da arroba do boi gordo, certamente o recriador pensará mais antes de repor.

Mais fêmeas ficaram no rebanho em 2015. Os bons preços do bezerro naquele ano fizeram o criador reter mais vacas e novilhas. A questão da seca, sim, ela é importante. Mas, o que muita gente esquece é que em 2014 também houve seca. E isso impactou a safra de bezerros de 2016. Ou seja, choveu pouco em 2014 e em 2015. Situação climática parecida. A diferença é que em 2015 havia mais fêmeas em monta.

Portanto, haverá mais bezerro este ano do que em 2016.

Scot Consultoria: Diante destes cenários menos animadores de preços, o que o pecuarista deve fazer?

Alex Lopes: O pecuarista não deve, jamais, recuar no uso de insumos. Deve, no mínimo, manter a produtividade. Menos desembolso em insumos pode dar a impressão errada de que estão dando um importante passo para melhorar o resultado no final, já que o custo aparenta ser menor.

Isso, certamente, resultará em menos produtividade, mais tempo de fazenda e em uma arroba mais cara.

Além disso, ao terminador, é importante liquidar o rebanho mais rápido possível. O estoque da fazenda está caro, portanto venda ele rápido já que provavelmente os preços devem seguir caindo. Refaça o estoque da fazenda com animais “mais baratos” que devem estar disponíveis no mercado este ano. Nada de assumir risco. Garanta margem e pare de brigar por R$1,00 a mais por arroba.

Scot Consultoria: O que você chama de assumir risco?

Alex Lopes: Assumir risco é deixar, por exemplo, de travar os preços de venda da arroba como muitos confinadores fizeram em 2016. E olha que houve oportunidade de receber R$167,00/@, o que garantiria retornos de quase 5,0% ao mês. Quem vendeu no mercado, recebeu R$150,00/@ e teve prejuízo.

Outra forma de assumir risco é, sabendo que o mercado não é muito favorável em preços este ano, resolver manter a boiada no pasto acreditando que assim poderá controlar a oferta da indústria, o mercado e os preços subirem.

O mercado é mais forte. Sempre será. Existem milhares de frigoríficos no país, centenas de milhares de fazendas produzindo boi, milhões de consumidores de carne bovina e tudo isso envolto em um ambiente macroeconômico que possui mais uma centena de variáveis. É este o tamanho do mercado. Não parece fácil conseguir “controlar” isso tudo.