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"A cidade é quem decide o futuro da Expogrande" afirma Maia

26 abril 2011 - 11h29Por O Estado
"A cidade é quem decide o futuro da Expogrande" afirma Maia

Entrevista com o Presidente da Acrissul Francisco Maia, publicada no dia 25 de abril no jornal O Estado

             

 

   A edição de 2011 da Expogrande foi marcada pela polêmica envolvendo a Lei do Silêncio, por conta da poluição sonora de boates e dos shows no Parque de Exposições, que geraram reclamações. Houve até o risco de não ocorrerem shows musicais. Como avalia a celeuma criada sobre esse tema?

                Chico Maia – Acho que foi desnecessária, desgastante e midiática. É preciso cuidado em algumas decisões, porque se tiver pouca tinta na sua caneta, não se escreve, e se tiver muita tinta, pode borrar. Tem de ter equilíbrio. Não se pode achar que um promotor tem o direito de impedir cenas que vimos aqui ontem (sábado). Segundo informações do artista, tinha 75 mil pessoas cantando felizes, alegres e produzindo emoção. Como um homem pega a sua caneta e diz: “Eu vou impedir que um momento lindo como esse possa acontecer?”. Então nós temos de brigar, fazer valer o que achamos que é justiça. A Acrissul existe há 73 anos. Tudo o que falamos se comprovou. Esta é a maior feira e a maior festa do Centro-Oeste. Então brigamos, contestamos, a população se mobilizou, os jovens participaram intensamente via internet. Acredito que a realização da Expogrande foi a primeira vitoria da internet contra uma pretensa decisão judicial.

                E qual será o futuro da feira?

                Maia – A feira é da cidade. A cidade é quem decide o futuro da Expogrande. A cidade é quem elege os homens para governar. As decisões judiciais têm, também, de serem amparadas em cima de costumes, tradições e a vontade do povo. Ontem (sábado) os vereadores estavam presentes, inclusive o presidente da Câmara (Paulo Siufi, PMDB), dizendo que aqui é o lugar da festa de Campo Grande, que a Câmara voltará a votar aquele projeto, porque aqui não pode deixar de ter festa. Acho que esta é uma decisão coerente. Não queremos polemizar. Nós apenas trabalhamos para que as coisas aconteça, da melhor forma.

                A Expogrande continua exatamente aqui ou o parque mudará de lugar?

                Maia – Eu nunca defendi essa tese de o parque mudar de lugar. Temos de entender que a segurança das pessoas, principalmente dos jovens, é muito importante. Se você jogar um parque desse num local mais distante, numa saída da cidade, onde as pessoas bebem e pegam a estrada, no dia seguinte de cada show as manchetes dos jornais não serão a alegria que o show criou, mas a tragédia que o show causou. Então, como o show é aqui, dentro da cidade, você nunca ouviu dizer que alguém morreu saindo da Acrissul. Todos esses aspectos têm de ser considerados. Também não existe nada de movimento de moradores contra a Acrissul. Isso é um fato isolado de um cidadão, que é presidente de bairro e que presta serviço para gente que tem interesse no mercado imobiliário da região. Essa é a verdade.

                Quais as parciais da Expogrande 2011 em relações aos negócios?

                Maia – Superamos todos os números até agora. Devemos chegar ao valor de R$ 30 milhões de comercialização de gado, envolvendo 25 mil cabeças de gado de corte. Números que consagram a Expogrande como a maior feira da pecuária brasileira e a que mais vende gado no mundo.

                O que houve de diferencial na questão econômica em relação à feira 2010?

                Maia – Ainda não temos o balanço geral, mas acredito que superamos em 20% o movimento do ano passado, que já foi de crescimento. A pecuária está em um bom momento, os produtores saíram felizes, comercializaram bem os seus produtos. O preço do bezerro em média por R$ 4 o quilo vivo, que é uma marca excepcional. O produtor saiu feliz, o comprador saiu feliz houve credito e boa vontade dos bancos oficiais. Os expositores, pelo que consta, venderam suas maquinas e equipamentos, e o pequeno comerciante, o informal, que espera o ano inteiro por uma oportunidade para ganhar um troco, vimos muitos sorrisos neles. Então ficamos felizes por ajudá-los a também ganharem dinheiro para sobreviver.

Já sabe qual foi a procura por financiamento?

                Maia – Antes de começar a feira o superintendente do Banco do Brasil disse que já havia propostas de negócios em torno de R$ 22 milhões. Acredito que o bateu os R$50 milhões em negócios realizados.O que convém dizer é que, quando falamos que a feira teve R$ 130 milhões ou R$ 140 milhões movimentados, não significa esse volume de negócios aqui dentro.É o impacto na economia.Só em caminhões boiadeiros, durante a Expogrande, foram dois mil.São mil caminhões que encostam o gado e outros mil que o levam.Só aí você tem o volume de óleo diesel,óleo lubrificante,de pessoas. O transporte coletivo e os taxis movimentam, em um dia de show de 50 a 60 mil pessoas. O público que vem prestigiar os artistas se arruma como se fosse encontrar os namorados, então compram roupas,cintos,chapéus.Então a Expogrande é o maior evento de impacto na nossa economia.Infelizmente o nosso governador ainda não enxergou isso, mas quem sabe uma hora a miopia dele passa.

Em 60 dias acontecem as eleições na Acrissul. Como está a movimentação sobre a disputa?

                Maia – Tivemos uma reunião com a diretoria e decidimos não colocar este assunto em discussão durante a feira, para que não se criassem as paixões. Não queríamos que as pessoas olhassem a Acrissul achando que aqui só tem vermelho. Aqui tem vermelho, tem o rosa, o verde, o azul. Aqui tem as cores da Acrissul.E temos também a preocupação com o trabalho da unidade que fazemos junto a nossa base política, onde temos um enfrentamento decisivo para nós, que é a votação do Código Florestal. O embate político agora, onde se quer colocar quem é de direita ou de esquerda, poderá desviar o eixo dessa  unidade que construímos para se votar o Código Florestal. Nossa prioridade foi a feira, para os produtores saíssem felizes e a cidade tivesse uma boa festa. Em segundo lugar, temos a preocupação com o código florestal, que deve ser votado até 7 de maio.

O Sr. tentará a reeleição?

                Maia -   A diretoria decidiu que deverá apresentar uma chapa. Ou com a atual formação, ou com outra pessoa participando. Nós apenas demos o primeiro passo na Acrissul, que foi organizar as finanças e reestruturar o parque. Agora, o projeto que vamos começar em maio, nós ou o futuro presidente, já que isso foi aprovado pelo conselho dos ex-presidentes, é transformar isso em um grande shopping rural, e trazer as empresas permanentemente. Com isso faremos os produtores estarem sempre próximos, trocando informações e conversando sobre o agronegócio. E há um projeto que estamos discutindo, e que já teve um sinal positivo da presidente Dilma Roussef e onde estamos avançando com a Embrapa, de criarmos uma fazenda modelo e colocar em prática todos os ensinamentos que ela nos proporciona, disseminando para os produtores.é um projeto muito interessante, que acreditamos implantar em um curto espaço de tempo.

O shopping rural tem prazo de implantação? Quantos empregos devem gerar?

                Maia – Acho que temos condições de termos centenas ou milhares de empregos. Cada pavilhão seria uma loja. Poderíamos ter cem empresas ou associações. A aceitação tem sido imensa pelos produtores e pelo conselho de ex-presidentes. O Sr. Lúdio Coelho antes de partir(ele faleceu em 22 de março deste ano), pediu que não deixássemos morrer esta idéia i implantássemos esse projeto que se chama “Acrissul Amanhã”. Já começamos esse trabalho e vamos acelerar. Agora é lançar, vender e fazer valer.

E o trabalho com a Embrapa?

                Maia – é um trabalho maravilhoso. Sabemos que a Embrapa é o maior centro de excelência de pesquisa animal de gado de corte do país. Não podemos deixar que esta benção que temos fique escondida. Os produtores rurais têm que estar mais próximos da Embrapa. A Embrapa gado de corte tem uma grande fazenda, de quase quatro mil hectares, dentro da cidade. Vamos pegar uma área em comodato e em comum acordo com a Acrissul, Embrapa e outras entidades e universidades, e elaborar um projeto para ser encaminhado  á Embrapa nacional, já com os bons olhos da presidente Dilma, do Senador Delcídio do Amaral, do Deputado Vander Loubet e dos políticos que verdadeiramente tem nos ajudado.

O Sr. sentiu dificuldade à frente da Acrissul para implantar projetos por interferência política ou nacional?

                Maia -  O mundo mudou evoluiu.As únicas coisas que não mudaram foram algumas práticas e a cabeça de alguns políticos. Mas isso, com o tempo, também vai mudar, porque o poder não é de ninguém. As coisas são públicas. Eu aqui não me considero um presidente. Eu sou um síndico.Mas temos de trabalhar juntos.Governo, iniciativa privada e entidades, para construir. Não podemos ficar preocupados, com a mentalidade de “olha, está se criando uma sombra”. Assim que surgir uma sombra, temos é de torcer para que se torne uma boa árvore, que dê uma boa sombra e bons frutos, e não tentar eliminar essa plantinha enquanto ainda é pequena.Então esse tipo de cabeça, infelizmente, ainda impera na política de Mato Grosso do Sul. Enquanto se fala que Mato Grosso prospera, Goiás prospera que outros estados prosperam, ainda temos uma atividade política de pessoas que só dizem “amém” a um senhor. E isso na Acrissul não acontece. A casa tem história, tradição. Nesta casa não há senhor. Esta casa tem homens livres e independentes.

Que avaliação o senhor faz da feira deste ano?

                Maia – Fizemos a maior feira de todos os tempos sem a presença e apoio do governo no nosso meio. O governador não contribuiu em nada com a realização da Expo grande, e o prefeito mandou limpar o parque. Fizemos a maior festa de todos os tempos e todo mundo viu isso, menos o Sr. Governador. Estamos há seis meses esperando para sermos recebidos pelo governador e, enquanto o setor produtivo rende R$ 200 milhões ao ano em Fundersul, ele faz uma festa para empresários italianos que fazem visita pro aqui.