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Agricultura

Pecuária perde 1 milhão de ha para agricultura mas consegue produzir mais em área menor

05 dezembro 2012 - 19h23Por Agro Olhar
Pecuária perde 1 milhão de ha para agricultura mas consegue produzir mais em área menor

  Nos últimos quatro anos, a pecuária mato-grossense perdeu cerca de 1 milhão de hectares de pastos para a agricultura, de acordo com levantamento da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). No entanto, o crescimento da produtividade na criação bovina foi de mais de 16%, resultando em um aumento do rebanho mesmo com a queda de área.

Em 2008, de acordo com o estudo, a produtividade era de 1,01 animais por hectare, passando para 1,17 em 2011. Os 26 milhões de cabeças de gado, há quatro anos, transformaram-se em 29 milhões até o ano passado. A média nacional é de 0,7 cabeças por hectare.

Com esse incremento de produtividade, a Acrimat frisa que foi evitado o desmatamento de 16 milhões de hectares, área que comportaria o aumento do rebanho para as 29 milhões de cabeças com a taxa de produtividade registrada em 2008.

Tecnologia 

O que permitiu evitar a abertura de novas áreas para expandir a produção – e até diminuir a área que já esta sendo utilizada – foi, sobretudo, a tecnologia, detentora de recursos para melhoramento genético e de pastagens.

Além disso, as leis ambientais também forçam as atividades do campo a produzirem “mais em menos”. O superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, diz, no entanto, que o principal responsável por essa mudança é o próprio produtor.

Ele explica, ainda, que investir em tecnologia para aumentar a produção é menos caro que abrir novas áreas, além de ser algo responsável ambientalmente.

Por esse comportamento da classe, Vacari analisa que o Governo, ao invés de simplesmente proibir abertura de novas áreas, deveria criar políticas públicas que encaminhem o produtor ao aumento de produtividade, o que, por si só, evita o interesse de expansão territorial.

O estudo também mostra que, além de produzir mais cabeças por hectare, a tecnologia permitiu resultados ainda mais satisfatórios. O peso médio da carcaça de bois e vacas também aumentou aproximadamente 7,5% de 1997 a 2011. “Estamos efetivamente produzindo mais com menos”, frisou Luciano Vacari.

Fatores limitantes

Júlio Ferraz, diretor da Acrimat, comenta que existem alguns fatores limitantes neste processo de redução de área concomitante ao aumento de produção. Um deles, o principal, é a falta de renda para aquisição de tecnologia.

Existem alternativas para todo tipo de propriedade e, aquelas com mais recursos conseguem implantar tecnologias que renderão melhores resultados. Outro fator é a falta de apoio governamental através de políticas públicas eficientes.

Os financiamentos para a pecuária, por exemplo, não estariam sendo suficientes e compatíveis com a realidade do setor, ao contrário do que ocorre na agricultura.