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Pecuária

Intercâmbio Trinacional de Boas Práticas Pecuárias reúne Brasil, Bolívia e Paraguai

24 maio 2018 - 00h31Por Semagro

Mato Grosso do Sul sedia desde a terça-feira um Seminário técnico promovido pela WWF-Brasil para intercâmbio Trinacional de Boas Práticas Pecuárias. O encontro, que reúne lideranças do Brasil, Bolívia e Paraguai, acontece em Campo Grande com a participação de instituições sul-mato-grossenses: Embrapa Gado de Corte, Embrapa Pantanal, Famasul/Senar, Sindicato Rural de Campo Grande, Associação Novilho Precoce e do Governo do Estado, através da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar.

A apresentação dos programas de boas práticas do Brasil aconteceu no primeiro dia, e incluiu o trabalho realizado pela Embrapa Gado de Corte, com o Programa Bovinos de corte, apresentado por Thais Basso Amaral, o Protocolo de atendimento a boas práticas de produção da Associação Novilho Precoce, apresentado por Klauss Machareth de Souza, o Programa Mais Inovação da Famasul, apresentado por Mariana Urt, o Programa Pecuária Orgânica e Sustentável da Associação Brasileira de Produtores Orgânicos (ABPO), apresentado por Leonardo de Barros e ainda os programas do Governo do Estado, geridos pela Semagro, apresentados por Rogério Beretta, superintendente da pasta responsável pelo Programa de Avanços na Pecuária de Mato Grosso do Sul, o PROAPE.
 
Aos mais de vinte representantes do setor produtivo da Bolívia e do Paraguai Beretta apresentou detalhes sobre o Programa Precoce MS e o Programa Carne Orgânica e Sustentável do Pantanal, ambos inéditos no País e que tem gerado resultados extremamente positivos para a economia do Estado. Resultado de uma política pública do Governo do Estado o Programa Precoce MS foi fundamental para transformar em referência a carne produzida em Mato Grosso do Sul.
 
Reformulado recentemente buscando auxiliar na ampliação da competitividade da cadeia produtiva da pecuária do Estado, o programa que premia atributos de qualidade e de sustentabilidade já abateu mais de 386 mil animais classificados como precoce este ano. Com um sistema totalmente informatizado, o controle se tornou mais rigoroso e conta com empresas certificadoras independentes responsáveis pela classificação e tipificação das carcaças.
 
Atualmente, o Precoce MS conta com 1046 produtores cadastrados, 483 profissionais e técnicos (devidamente capacitados pela Semagro, CRMV-MS e Embrapa) e 11 frigoríficos habilitados (com outros 5 em processo de habilitação). Sobre o Programa Carne Orgânica e Sustentável do Pantanal Beretta explicou que a ideia de resgatar o processo produtivo tradicional do Pantanal, aproveitando um nicho de mercado e abrindo novas oportunidades de negócio para Mato Grosso do Sul, transformou o protocolo de produção de carne orgânica e sustentável utilizado por produtores rurais do Pantanal em uma política pública do Governo do Estado, implementada pela Semagro, aos moldes de outras ações do Programa de Avanços na Pecuária de Mato Grosso do Sul (PROAPE).
 
Os incentivos para os produtores da região pantaneira que aderirem ao subprograma variam de 50% a 67% do imposto devido. “ É uma forma de estimular a preservação de pastagens naturais no Pantanal, de favorecer que boas práticas de produção sejam replicadas e de agregar mais valor ao produto da região”, completou. O programa que funciona ainda como ferramenta para continuidade do alto nível de preservação do bioma, estimula de forma sustentável a atividade econômica focando na rentabilidade do homem pantaneiro, reconhecendo seu valor, de forma exemplar. “o programa valoriza quem produz de forma correta” destacou o superintendente.
 
Segundo dados da ABPO, 22 produtores rurais do Pantanal produzem carne orgânica e abatem cerca de 1.000 cabeças por mês. A demanda atual é toda da empresa Korin, que vende produtos com o selo da carne orgânica do Pantanal. O mercado orgânico cresce hoje em taxas de 20% a 30% ao ano. O Programa Fazenda Pantaneira Sustentável, da Embrapa Pantanal foi apresentado por Marcia Divina, junto dos programas da Bolívia e do Paraguai dentro da programação do segundo dia do intercambio.
 
Neste mesmo dia os encaminhamentos do GTPS, grupo de trabalho da Pecuária Sustentável foi apresentado pela Secretaria executiva Beatriz Domeniconi. Segundo Flávia Accetturi Szukala Araujo, analista de Conservação do Programa Cerrado Pantanal, da WWF-Brasil, promotora do intercambio em conjunto com os escritórios do WWF da Bolívia e do Paraguai, a proposta é promover a troca de experiência em Programas de Boas Práticas Pecuárias entre os três países, com representantes do governo, produtores, instituições de pesquisa e sociedade civil com objetivo de incentivar e promover a implementação de princípios e critérios de produção sustentável na cadeia pecuária. “É possível que a partir do encontro realizado aqui em Campo Grande consigamos realizar até dois encontros no ano. A experiência tem sido muito rica e temos certeza que os relatos irão incrementar os programas de cada um dos países participantes”. Completou.
 
Beretta destacou que Mato Grosso do Sul é pioneiro no desenvolvimento de programas que incentivam a produção de carne no País. “Sediar esse tipo de encontro nos mantem na vanguarda. Somos modelo para o resto do Brasil, temos uma política de incentivos única para desenvolvimento da pecuária e que garante um impulso importante para a nossa economia” finalizou. O encerramento do intercâmbio acontece na manhã desta quinta-feira com visita técnica a uma propriedade modelo de um dos programas apresentados.