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RISCOS E CUIDADOS

Zootecnista ensina como identificar mastite e proteger a saúde do gado de leite

É importante tratar a doença prontamente para prevenir complicações mais graves

05 junho 2023 - 09h26Por Canal Rural

O zootecnista Petterson Sima explica como é possível diagnosticar a mastite clínica e a mastite subclínicas, doença que afeta o gado leiteiro. "A mastite clínica é mais fácil de ser percebida, pois o leite apresenta grumos visíveis com o auxílio do teste da caneca telada (ou caneca do fundo preto)", informou.

Ele completa que, em casos mais graves, pode haver pus ou sangue no leite, além do úbere apresentar inflamação, intensificando o prejuízo e, até, pode causar a inutilização do quarto mamário. "É muito importante que seja realizado o teste da caneca antes de cada ordenha e em cada vaca. Lembrando sempre que devem ser retirados três jatos de leite, o que garante um diagnóstico efetivo e a exclusão do leite residual contaminado", disse.

O zootecnista completou que a mastite subclínica possui caráter silencioso, dificultando a detecção a olho nu. "Devido à falta de sinais evidentes da enfermidade, são necessários testes auxiliares para o diagnóstico da Contagem de Células Somáticas (CCS) no leite, através de testes clínicos na própria fazenda, com ferramentas de contagem eletrônica ou reagentes químicos para estimativas ou análises laboratoriais de alta precisão das amostras de leite", pontuou.

Porém, acrescentou, para que tenha uma análise assertiva e de credibilidade, é importante que seja realizada em laboratórios credenciados pelo MAPA. "Tecnicamente, considera-se que as vacas saudáveis apresentam contagens de até 200.000 células/ml", exemplificou.

Sobre como é possível proteger o gado leiteiro da enfermidade, Petterson Sima explicou que a mastite é uma doença multifatorial, ou seja, existem diversas causas para sua incidência, como imunidade baixa, desnutrição, estresse térmico por calor, traumas, ordenhadeira sem revisão periódica, estresse, entre outros. "Mas os fatores mais importantes para proteger o gado leiteiro da doença são a rotina de ordenha e o cuidado com os tetos antes e após a ordenha", declarou.

Conhecidos como pré e pós-dipping, acrescentou, os manejos de preparo dos tetos do úbere, com auxílio de soluções químicas especializadas antes e após a ordenha, trazem benefícios à saúde das vacas e para o bolso do produtor de leite. "Promover tetos livres de contaminantes e uma pele sadia impactam diretamente na prevenção de mastite e melhoria dos índices de CCS e CBT (Contagem Bacteriana Total)", sugeriu.

O sistema mais utilizado, no Brasil, é realizado com produtos líquidos ou espuma aplicados nos tetos por 30 segundos e enxugados/limpos com papel toalha. É um bom método, mas apresenta limitações, especialmente na limpeza e massagem estimulante do teto.

O melhor manejo para retirada de sujeira é com toalhas de tecido embebidas de soluções desinfetantes não agressivas para a pele. Além disso, os produtos de pré-dipping devem conter componentes cosméticos para melhorar a saúde da pele. A orientação técnica específica para cada fazenda é importantíssima. Não existe apenas uma receita para todas as fazendas.

Com o Brasil sendo o terceiro maior produtor mundial de leite, Petterson Sima falou dos prejuízos que a mastite pode causar à produção leiteira. "Atualmente, produzimos algo próximo a 34 bilhões de litros de leite por ano. Com o nível de CCS médio estimado no Brasil, cerca de 500 mil, podemos considerar que deixamos de produzir, pelo menos, 1,75 bilhão de litros por ano, correspondente a 5% da produção. Esse é um valor conservador. Isso significa quase 5 bilhões de reais a menos por ano, mas pode ser muito maior", argumentou.

Pesquisas recentes da ESALQ observaram dados do SEBRAE-MG de 2015-2017, com mais de 500 fazendas em Minas Gerais com média geral produtiva de 17 litros/vaca/dia nos últimos anos. Os produtores com média de 15 e 17 litros/dia/vaca possuíam CCS acima de 500 e 750 mil, respectivamente.

Em compensação, as fazendas com CCS média abaixo de 200 mil produziam 20,5 litros/vaca/dia. A diferença de custo por vaca entre esses grupos não foi tão mais elevada. As fazendas com maior CCS (>750 mil) investiam apenas 400 reais a menos/vaca/ano, comparada às melhores fazendas (<200 mil).

Além disso, a diferença do lucro entre essas mesmas fazendas era superior a 700 reais/vaca/ano, em que as fazendas com mais de 750 mil de CCS tinham prejuízo na realidade. "Apesar do produtor achar que perde dinheiro com medicamento e descarte do leite, 70% do seu prejuízo anual está na perda de produção de leite pela mastite clínica e, principalmente, subclínica", finalizou.