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USDA corta produção de carne bovina dos EUA e projeta 2,78 mi/t em importações para 2026

Produção americana deve cair para 11,32 milhões de toneladas em 2026, enquanto importações são projetadas em 2,78 milhões de toneladas; cenário reforça importância dos fornecedores externos

14 agosto 2026 - 10h26Por Portal DBO | Agrifatto
USDA corta produção de carne bovina dos EUA e projeta 2,78 mi/t em importações para 2026

No relatório WASDE (OFERTA E DEMANDA) de agosto, divulgado na última quarta-feira (12), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu suas estimativas para a produção americana de carne bovina tanto em 2026 quanto em 2027.

Levantamento elaborado por Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, a partir dos números do relatório, mostra que a estimativa para a produção dos Estados Unidos em 2026 caiu para aproximadamente 11,32 milhões de toneladas. Na prática, são cerca de 145,6 mil toneladas a menos em relação à projeção apresentada pelo USDA em julho.

Segundo a análise da Terra Investimentos, o USDA atribui os cortes principalmente a um ritmo mais lento de abate e comercialização de bovinos nos Estados Unidos. O USDA estima que os Estados Unidos deverão importar aproximadamente 2,78 milhões de toneladas de carne bovina. De acordo com o levantamento, a expectativa de aumento das compras externas está associada à força da demanda doméstica americana e à disponibilidade de carne proveniente da Oceania.

Enquanto compra volumes expressivos, o país também permanece como grande exportador. O USDA projeta exportações americanas de aproximadamente 1,06 milhão de toneladas, em 2026, ligeiramente abaixo da estimativa de julho. “Isso não significa que todo o aumento das importações americanas será automaticamente capturado pelo Brasil”, lembra Geraldo Isoldi. Austrália e Nova Zelândia, especialmente, possuem forte presença no mercado dos Estados Unidos, e o próprio relatório destaca a disponibilidade de produto da Oceania como um dos fatores para o avanço das importações.

Outro sinal da oferta ajustada aparece nas projeções para os preços do gado nos Estados Unidos. O levantamento da Terra Investimentos mostra que o USDA trabalha com preço de US$ 242 por 100 libras (cwt) para os novilhos no terceiro trimestre de 2026 e US$ 245/cwt no quarto trimestre. Para 2027, são projetados US$ 245/cwt no primeiro trimestre e US$ 250/cwt no segundo trimestre.

Convertendo esses valores para a unidade utilizada pelo pecuarista brasileiro, uma arroba de 15 quilos, e tomando como referência uma cotação de aproximadamente R$ 5,16 por dólar, o preço americano corresponde a cerca de R$ 413/@ no terceiro trimestre de 2026, R$ 418/@ no quarto trimestre, permanece próximo de R$ 418/@ no primeiro semestre de 2027 e alcança aproximadamente R$ 427/@ no segundo semestre do próximo ano. O relatório de agosto trouxe ainda outra novidade para a oferta americana.

O USDA confirmou a retomada das importações de gado vivo do México a partir de 24 de agosto, inicialmente exclusivamente pelo porto de entrada de Douglas, no Arizona. Os demais pontos de ingresso permanecem fechados, sem cronograma oficial para reabertura.

A entrada dos animais mexicanos pode contribuir para aumentar a disponibilidade de gado nos Estados Unidos, mas, diante do tamanho dos cortes realizados nas projeções de produção, não elimina a necessidade americana de recorrer ao mercado internacional de carne.

Como mostra o levantamento de Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, o USDA agora trabalha com um ritmo mais lento de abate nos Estados Unidos em 2026 e 2027, indicação de que as limitações da oferta americana não devem desaparecer rapidamente.

Para o Brasil, o impacto potencial ocorre em duas frentes: pela possibilidade de ampliar diretamente os negócios com os Estados Unidos e pela redistribuição dos fluxos globais de carne bovina provocada pela necessidade americana de importação. Em um mercado no qual poucos países possuem capacidade de aumentar significativamente a oferta exportável, a redução da produção da maior economia do mundo transforma-se em um dado estratégico para a pecuária brasileira.