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Suíno Vivo: mercado encerra semana com incertezas, mas efeitos da Carne Fraca ainda são pequenos

27 março 2017 - 00h00Por Notícias Agrícolas

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, a analista de mercado Juliana Pila, da Scot Consultoria, apontou que o mercado interno de suínos permaneceu firme nas granjas ao longo da semana. No atacado, no entanto, houve uma queda na carcaça de suíno de 4,3%, de R$7 para R$6,70 o quilo, atribuída às vendas travadas nos últimos dias, com menor necessidade dos compradores de se abastecerem.

O poder aquisitivo dos consumidores também se mostra debilitado. Os efeitos da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, são considerados, já que geram incertezas tanto no mercado doméstico quanto no mercado externo, mas a segunda quinzena do mês é tradicionalmente conhecida pela retração no consumo.

Na análise semanal realizada pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, o mercado do suíno apresentou variação negativa em duas praças do país: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O restante das praças permaneceu estável.

Em Mato Grosso, a variação negativa foi de -0,54%, com o preço do suíno passando de R$3,71/kg no início da semana para R$3,69/kg ao final. Em Mato Grosso do Sul, variação negativa de -1,60%, passando de R$3,76/kg para R$3,70/kg.

A maior cotação é observada em São Paulo, que manteve a semana a R$4,80/kg.

Perspectivas

Para o suinocultor, os patamares de preços estão 33% maiores em relação ao ano passado, na avaliação da analista da Scot. Porém, ela diz que os impactos dos próximos dias ainda devem ser aguardados. O momento, portanto, é de cautela para todos os integrantes do setor - tanto produtores quanto compradores. "Qualquer decisão precipitada pode estar desalinhada com o mercado quando ele voltar a atuar de acordo com os fundamentos", analisa Pila.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP analisa também que a operação da PF trouxe "incertezas à suinocultura brasileira, especialmente quanto à reação do consumidor final". Na checagem do centro, o impacto nos preços tanto do animal vivo quanto da carne tem sido pequeno, com estabilidade ou ligeiras quedas, mas agentes de frigoríficos e produtores consultados estão cautelosos na negociação de novos lotes.

Exportações

As exportações de carne suína, por sua vez, estavam caminhando em um bom ritmo até o momento, como aponta Pila. No primeiro bimestre do ano, foi exportado 20% a mais de carne em relação ao mesmo período do ano passado. Após a retaliação temporária por parte de alguns países - principalmente, da China, que representou 30% das exportações de suínos brasileiras no ano, até o momento - o mercado doméstico também poderá sofrer alguns impactos, já que o aumento de oferta no mercado interno deve gerar pressão sobre os preços.

Na segunda-feira (20), o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) divulgou que as exportações de carne suína "in natura" seguiam positivas até a terceira semana de março, com 35,8 mil toneladas embarcadas no período, crescimento de 12,4% em relação ao mês anterior e 6,8% em relação ao mesmo período de 2016, com resultado em receita de US$88 milhões (preço da tonelada: US$2.457,4).