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BOI GORDO

Semana tem nova rodada de baixas da arroba em importantes praças brasileiras

Indústrias frigoríficas tiram o pé das compras de boiadas gordas, e obtêm sucesso na estratégia de enfraquecer o valor da arroba em pleno período de entressafra

15 agosto 2022 - 07h38Por DBO Rural

No mercado físico do boi gordo, a segunda semana de agosto registrou forte especulação baixista sobre os preços da arroba, refletindo sobretudo o baixo interesse das indústrias frigoríficas pela compra da matéria-prima. A sexta-feira (12/8) foi de novos movimentos de queda da arroba bovina em algumas regiões brasileiras, com destaque para as praças do Mato Grosso, justamente um dos Estados onde o frigorífico JBS teria anunciado férias coletivas envolvendo algumas unidades locais, de acordo com informações repassadas pelas consultorias que cobrem diariamente o setor pecuário em todo o País.

Além disso, os embarques de carne bovina, que vinham em disparada nos meses anteriores, perderam força na primeira semana de agosto, em comparação o volume registrado em igual período de 2021. Nesta sexta-feira, 12 de agosto, nas praças do interior de São Paulo, o mercado do boi gordo permaneceu praticamente parado, com estabilidade nos preços do boi gordo, informa a Scot Consultoria. “As indústrias paulistas estão fora das compras de boiadas gordas, definindo quais serão os próximos passos”, afirmam os analistas da Scot.

Com isso, a cotação do boi gordo destinado ao mercado interno (sem prêmio-exportação) segue valendo R$ 300/@, segundo os dados da Scot. Para o boi-China, abatido mais jovem, com até 30 meses de idade, paga-se ao redor de R$ 310/@ em São Paulo, enquanto vaca e a novilhas gordas são negociadas, respectivamente, por R$ 278/@ e R$ 292/@ (preços brutos e a prazo), de acordo com o levantamento realizado pela Scot.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comercio Exterior (SECEX), durante os cinco primeiros dias úteis de agosto, o fluxo médio de embarque de carne bovina nos portos do Brasil foi de 7,88 mil toneladas por dia, volume 4,6% inferior ao registrado em agosto de 2021 e uma retração de 1,1% frente à média de julho/22. “Apesar do volume de exportações ao longo de 2022 registrar, até agora, o maior avanço acumulado da série histórica, há um risco quanto a formação de excedentes da proteína bovina diante de uma retração das vendas ao mercado externo”, observam os analistas da IHS Markit.

O problema, continua a consultoria, é que o consumo doméstico, pelo menos por enquanto, não tem demonstrado fôlego suficiente para absorver o suposto volume excedente de carne bovina (no caso da consolidação do movimento de queda no ritmo dos embarques brasileiros). Tal conjuntura, relata a IHS, influenciou na decisão das indústrias frigoríficas em operar de maneira mais cadenciada nas compras de gado gordo durante as primeiras duas semanas de agosto. “As unidades industrias estão operando com oferta de animais provindas sobretudo de parcerias firmadas com os grandes confinadores (em sistemas de boiteis, principalmente)”, destacam os analistas.

Além da informação envolvendo a JBS, que teria anunciado férias coletivas em seis unidades de abate situadas nos Estados do Pará, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o mercado repercutiu a notícia de suspensão temporária das exportações para China mantidas pelo frigorífico Redentor, que “também impactou a formação dos preços em todo o mercado nacional”, relata a IHS.

Nesta sexta-feira, o Redentor, localizado no município de Guarantã do Norte (MT), emitiu um comunicado confirmando a suspensão chinesa, apesar de não mencionar o motivo do embargo, afirmam os analistas da IHS. Na avaliação da consultoria, a pressão negativa sobre os preços do boi gordo devem continuar no curtíssimo prazo, já que as escalas de abate estão abastecidas minimamente até o final do mês, com relatos de operações que já avançam a primeira semana de setembro.

“Frigoríficos que ainda atuam no mercado físico originando animais para dar continuidade em suas escalas de abate continuam testando patamares inferiores e há relatos de negócios efetivados abaixo dos pisos referenciais”, informa a IHS. Em relação à oferta de boiadas gordas, a consultoria destaca a forte elevação nos custos de engorda em boiteis ao longo do primeiro ciclo de engorda no cocho.

A IHS Markit registrou reportes de custos 40% superiores aos registrados no ano passado, com a média da diária rondando entre R$ 23 a R$ 26 por animal. “O incremento dos custos removeu a possibilidade de manutenção dos animais sob regime de engorda intensiva”, ressalta a consultoria.

Avanço dos abates

O IBGE registrou abates brasileiros da ordem de 7,32 milhões de cabeças no segundo trimestre de 2022, elevação de 2,7% frente ao volume registrado em igual período de 2021 e aumento de 5,2% em relação ao resultado obtido no primeiro trimestre deste ano. A produção de carcaça bovina atingiu 1,93 milhão de toneladas no segundo trimestre deste ano, incremento de 2,3% sobre o mesmo período do ano passado e acréscimo de 5,1% na comparação com o trimestre anterior.

Esse comportamento mais agressivo nos abate, diz a IHS, ajuda a explicar também os atuais ajustes nas operações das indústrias brasileiras, já que o consumo doméstico de carne bovina não registrou fôlego suficiente para absorver a produção crescente, transformando os volumes que não foram destinados ao mercado externo em produção excedente.

Esperada reação no consumo – A despeito da atual falta de interesse das indústrias pela compra de boiadas gordas, os agentes do mercado pecuário ainda apostam em elevação do consumo doméstico de carne bovina nas próximas semanas, que seria impulsionado pelas comemorações do Dia dos Pais, neste domingo, além do dinheiro extra à população brasileira gerado pelos pagamentos dos programas sociais de distribuição de renda por parte do governo federal.

Essa eventual reação na demanda interna pela proteína bovina poderia colocar novamente os compradores nos balcões de negócios de boiadas gordas, motivando, assim, uma retomada de alta nos preços da arroba, já que a oferta de animais segue bastante enxuta, refletindo o período de entressafra de bovinos terminados a pasto.