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Seguro Rural garantirá mais investimentos no setor

09 dezembro 2009 - 00h00Por Agrolink, por Renata Moreira.

Durante sua participação no IV Simpósio de Pós-colheita, realizado pela Abrapós em Panambi entre os dias 1 e  3 de dezembro, o Gerente de Mercado do Banco do Brasil José Paulo Comerlato analisou o cenário da agricultura brasileira e fez algumas previsões. Segundo ele o país é um dos poucos com possibilidade de crescimento da fronteira agrícola. “Enquanto outros países desenvolvidos já estão com as áreas esgotadas o Brasil é o principal país em termos de desenvolvimento agrícola e pecuário sem afetar matas, florestas, rios, lagos, somente aproveitando as áreas já degradas e abandonadas, além de áreas de pastagem, passíveis de serem utilizadas sem agredir o meio ambiente”.

Comerlato também prevê mudanças nas políticas de crédito rural, pois já existe um grupo de trabalho envolvendo Ministério de Agricultura, governos e bancos discutindo sobre políticas agrícolas mais acessíveis aos agricultores. O crédito rural do sistema financeiro brasileiro está atrasado, o manual de crédito rural do Banco do Brasil é de 1969. O produtor precisa de uma política com menos burocracia e mais acessibilidade.

- Hoje notamos que há recursos a vontade para investimentos, para custeio e muitas vezes falta a possibilidade de acesso à esse crédito. Já existe um grupo de trabalho estudando medidas para que nos próximos anos essa política agrícola seja melhor implementada, explica Comerlato.

O déficit na armazenagem brasileira mostra que os investimentos no setor são necessários para uma valorização da produção agrícola além de ganhos em qualidade e logística. Há uma tendência dos produtores cada vez mais investirem em suas próprias unidades armazenadoras, agregando mais valor ao seu produto. Essa realidade é clara também para as autoridades e já existem linhas de redito e dinheiro disponíveis, porém os produtores ainda se sentem inseguros principalmente pela volatilidade de clima e preço das commodities agrícolas.

“Existe a possibilidade clara de ocorrer esse crescimento e que agente vem investir em armazenagem porque é uma necessidade. Tem que ser feito um trabalho conjunto com as lideranças do setor do agronegócio para que busque tirar esses empecilhos que hoje existem. Buscar mais prazos e taxas mais acessíveis, mas com mecanismo de proteção de preço ao agricultor para que ele tenha menos volatilidade em termos de receita e hoje o que impede ele é a insegurança com relação a essas receitas. Tem anos que os preços estão bons, mas os custos estão altos e daí a rentabilidade é baixa. Outros anos preços baixos, custos mais altos, com rentabilidade negativa”, analisa Comerlato.

A safra 2009/2010 contou com financiamento de 30 a 40% maior que na safra anterior. Além disso foi o primeiro ano que já no primeiro dia de liberação o banco já estava com os sistemas prontos, as normas e recursos também disponíveis nas agências, o que agilizou o processo.Falando especificamente das regiões agrícolas Comerlato disse que o crescimento do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, foi um pouco menor do que o da Região Sudeste e Centro-oeste em função que essas áreas já estão praticamente ocupadas e os grandes territórios a serem absorvidas estão na região centro oeste. Já na região sudeste houve uma procura maior em função da crise, pois as tradings recuaram o BB aumentou a disponibilidade para de recursos principalmente para café, cana, soja, milho. “A estimativa é que seja uma safra boa, com preços médios e uma rentabilidade razoável, não é pra perder nem para ganhar muito dinheiro“.

As condições climáticas, cada vez mais imprevisíveis e devastadoras e a volatilidade dos preços são as questões que mais preocupam os produtores. Ano passado foi um ano com secas e hoje é o excesso de chuva que afeta a região do arroz aqui no Rio Grande do Sul. Também em outros anos o clima é excelente, mas os preços despencam. Segundo Comerlato o Banco do Brasil está se em buscar a proteção de preços para as instabilidades, tanto na variação dos preços como também na proteção climática.

Estas são os dois fatores que preocupam bastante o produtor. O seguro de preço, ou seguro agrícola também pode ser visto como mitigador de risco e a tendência mundial ainda mais forte aqui no Brasil vai ser nos próximos anos trabalhar com esses mitigadores de risco, de clima e de preço.

- Hoje o seguro de preço ainda é pouco difundido, mas a tendência é um crescimento muito grande. O produtor busca com mais freqüência o seguro de clima, o de preço é muito pouco procurado e precisamos evoluir nisso, mas vai ser uma tendência a partir do próprio banco. Nós vemos uma tendência de que caso haja uma estabilidade de renda do produtor os investimentos vão surgir e com isso os setores como a armazenagem e máquinas vão deslanchar, pois o produtor vai estar mais seguro para realizar esses investimentos.