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Ruralistas argentinos retomam comercialização de grãos

25 janeiro 2011 - 00h00Por Agência O Estado

Produtores agrícolas da Argentina, que encerraram a paralisação de uma semana à meia-noite do domingo (23/01), retomam a comercialização de grãos, mas afirmam que não venderão trigo por valores menores que o preço de mercado. Eles não aceitarão ofertas abaixo do chamado "FAS teórico", determinado pelo Ministério da Agricultura e calculado sobre a capacidade de pagamento da indústria. O valor é publicado diariamente pelo Ministério. As entidades rurais propõem também publicar esse preço para que nenhum produtor desavisado faça vendas abaixo do estipulado.

Mesmo retomando a atividade comercial, o setor produtivo afirma que seguirá mobilizado em protesto contra a política do governo de restringir as exportações de trigo. "Embora o locaute tenha terminado, o protesto do campo não para", disse o presidente da Confederações Rurais da Argentina (CRA), Mario Llambias. Segundo ele, dentro de 15 dias, os líderes vão se reunir, em Gualeyguachú, para fazer um balanço sobre os preços praticados pelo mercado para o trigo e o andamento das exportações.

"Se o governo insistir em manter as exportações com autorizações prévias e se os moageiros e exportadores não pagarem o preço de mercado pelo trigo, vamos definir novas medidas de força", disse Llambias. Essas medidas podem estar relacionadas com o pagamento de impostos, empréstimos bancários e insumos com grãos; também podem envolver nova paralisação comercial que afete também o gado, além de manifestações e assembleias de produtores em diferentes pontos do país, explicou o líder rural.

Durante o locaute da semana passada, os preços internacionais das commodities agrícolas voltaram a subir e o trigo fechou na sexta-feira (21/01)com o maior valor dos últimos 30 meses, a US$ 302 a tonelada. Llambias voltou a reclamar que, do momento da colheita até o produto final na mesa do consumidor, o valor do trigo sofre distorções. Com as restrições às exportações, a demanda pelo trigo se limita à indústria local, que, segundo a fonte, "joga o preço para baixo".