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Queda no preço do leite surpreende produtor

06 julho 2010 - 00h00Por Gazeta do Povo, por Luana Gomes.

O recuo no preço do leite em plena entressafra preocupa, mas, mesmo mais baixos, os valores atuais ainda cobrem os custos de produção, afirma o pecuarista Janus Katsman, de Carambeí, nos Cam­­pos Gerais do Paraná. “Ainda está dando para fechar a conta, mas a queda pegou de surpresa. Nor­­malmente, nesta época do ano, os preços são os mais altos e a gente sempre espera que comece a cair mais tarde. A entressafra é quando a gente tira o prejuízo acumulado durante a safra”, diz.

Ele acredita que as cotações podem voltar a reagir nas próximas semanas caso a previsão de clima seco durante o inverno por causa do La Niña se confirme. Caso contrário, os preços tendem a continuar em queda dentro da porteira, prevê. “Dizem que os estoques estão muito altos porque está entrando muito leite de fora”, aponta.

“Tem muito leite chegando da Argentina e do Uruguai”, concorda Fábio Mezzadri, veterinário da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Em sua avaliação, além da entrada de produto importado, as cotações internas também são pressionadas pela expectativa de aumento na captação, decorrente da melhora das pastagens de inverno no Paraná. “O excesso de chuva no início do ano atrasou o plantio, mas agora os pastos já estão estabelecidos”, relata.

Maria Silvia Digiovani, assessora da Comissão Técnica de Leite da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), afirma que, mesmo com a recuperação das pastagens, ainda não há au­mento significativo na captação de leite no estado. Para ela, o maior fator de pressão sobre as cotações atualmente é mesmo a entrada excessiva de produto importado a preços mais baixos. “A tonelada de leite em pó, que custa US$ 3,5 mil na Oceania (Austrália e Nova Zelândia), pode ser comprada por US$ 2,5 mil na Argentina”, observa.

Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agri­­cultura e Pecuária do Brasil (CNA), discorda. “A alegação de que o preço ao produtor está caindo por causa das importações do Uru­­guai não é verdadeira. O volume não é suficientemente grande para baixar as cotações internas”, garante.