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Quebra do milho safrinha deve fazer preço da carne e do leite subir neste ano

20 maio 2016 - 00h00Por Agrolink

O clima foi o grande vilão da segunda safra de milho 2015/16. O excesso de chuva no plantio e a estiagem em abril reduziu a produtividade das lavouras e frustrou a expectativa dos produtores. Em todo o Brasil, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção é estimada em 52,90 milhões de toneladas, 3,0% abaixo da safra 2014/15. No entanto, os preços históricos podem compensar as perdas e garantir uma boa rentabilidade para os produtores.

No Paraná, segundo o economista do Departamento de Economia Rural (Deral), Edmar Wardensk Gervásio, o potencial produtivo da safrinha de milho reduziu 500,00 mil toneladas em comparação a expectativa inicial de um recorde de 12,90 milhões, mas “apesar dos problemas de clima, a safra ainda supera os 11,60 milhões produzidos na temporada anterior e os produtores podem ter ganhos muito significativos”, afirma o economista. Os produtores paranaenses aproveitaram os preços mais altos da história e já comercializaram antecipadamente 21,0% da safra 2015/16. Há um ano, apenas 13,0% estava comprometida.

Em abril de 2015, o produtor recebia uma média de R$20,87 por saca. Neste ano, o valor subiu para R$37,18 por saca. Em algumas cidades, o preço chega a superar os R$40,00. Bom para os produtores, ruim para o setor de carnes que usa o milho como principal insumo da ração. Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, a preocupação é com o volume exportado de milho. “Nós passamos de 400,00 mil toneladas mensais embarcados. Nunca se viu isso. Temos que ter garantia de que vamos ter milho para abastecer o nosso mercado. Com esses preços, a conta não fecha”, explica.

E tudo indica que a oferta de milho vai ficar bastante apertada em 2016. O maior consumo interno dos últimos anos (58,40 milhões de toneladas), combinado ao segundo maior volume exportado desde a safra 2010/11 (28,80 milhões de toneladas) e a quebra na safrinha de milho (80,00 milhões  de toneladas), podem derrubar ainda mais os estoques e causar problemas de abastecimento. A situação já resultou no maior volume de milho já importado pelo Brasil, chegando a 1,50 milhão de toneladas. “Para o segundo semestre, a expectativa é que os preços recuem levemente”, afirma o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eugênio Stefanelo.

O Governo Federal está adotando medidas como a venda de estoque oficial para garantir o abastecimento dos mercados de carne e leite. Até o final do ano está prevista a venda de um milhão de toneladas. Para o presidente da Comissão de Suinocultura da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Reni Gerardi, no entanto, esse volume é insuficiente para o setor. “Nós não temos estoque devido ao excesso de exportação do ano passado. Agora estamos à mercê da safrinha”, diz.  Produtor independente há 36 anos, Gerardi está liquidando seu plantel. “É uma catástrofe. Nós não temos alternativa para substituir o milho”, lamenta.

Adversidade climática derruba produção de safrinha no Cerrado
O excesso de chuva durante o plantio e a estiagem em abril derrubou a produção no Centro-Oeste. Em Goiás, a estimativa de abril caiu para 5,80 milhões de toneladas, redução de 20,6% em comparação a 2014/15 e abaixo das 7,90 milhões de março. Entidades locais estimam que em alguns municípios as perdas possam chegar a 85,0%. A preocupação é com o cumprimento dos contratos de venda antecipada e o pagamento de dívidas feitas para financiar o plantio.

Em Mato Grosso, maior produtor de safrinha, a produção da atual temporada está estimada em 19,50 milhões de toneladas, volume 3,9% menor do que o da safra passada e 4,1% a menos do que o estimado em abril. De acordo com o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e produtor rural em Sorriso, Elso Vicente Pozzobon, a previsão é de uma redução de pelo menos 20,0 a 25,0% no volume produzido. “Com toda certeza haverá redução. Não é geral, mas em algumas regiões choveu até mais ou menos metade de abril. Em Sorriso nós temos como média de colheita ao redor de 100,00 sacas por hectare, mas vai ficar bem abaixo disso”, afirma.

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