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MERCADO

Preços do boi gordo recuam novamente e agora arroba fica perto de R$ 270 em São Paulo

Dados preliminares divulgados pela Secex apontaram queda no ritmo das exportações de carne bovina em outubro

15 outubro 2021 - 12h25Por DBO Rural

Com a China ainda fora das compras de carne bovina, o mercado brasileiro do boi gordo seguiu na mesma toada nesta quinta-feira (14/10), ou seja, registrou uma nova rodada de baixa nos preços da arroba, sobretudo nas praças de São Paulo, do Centro-Oeste e do Norte do País, informam as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário.

Dados da Scot Consultoria apontaram uma forte queda diária de R$ 5/@ no preço do boi gordo, agora cotado em R$ 272/@ ( preço bruto e a prazo). O preço da vaca e da novilha prontas para abater seguiram estáveis nesta quinta-feira, em São Paulo, a R$ 271,50/@ e R$268/@, respectivamente, acrescenta a Scot.

Segundo a IHS Markit, a maioria das indústrias frigoríficas brasileiras opera, no momento, com escalas de abate confortáveis, o que permite regular o ritmo das compras de gado, diminuindo a necessidade de novas aquisições.

A entrada de lotes oriundos de confinamentos próprios ou de negócios fechados no mercado a termo também ajudam os frigoríficos a manter a pressão de baixa sobre os preços do boi gordo e demais categorias prontas para abater (vacas e novilhas).

Ainda de acordo com os analistas da IHS, o foco atual das indústrias é buscar maneiras de liberar os estoques de carne, que cresceram consideravelmente depois do surpreendente prolongamento do embargo chinês à carne brasileira, iniciado em 4 de setembro, após a confirmação de dois casos atípicos de vaca louca no Brasil (no Mato Grosso e em Minas Gerais).

Dados preliminares divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontaram queda no ritmo das exportações de carne bovina em outubro, justamente devido ao cancelamento dos envios da proteína à China.

Até o dia 10 deste mês, o Brasil exportou 30,43 mil toneladas de carne bovina in natura, com uma média diária de 5,07 mil toneladas despachadas ao exterior, o que representa uma retração de 43% frente à média do mês passado e 37,7% abaixo da de outubro/20, informa a IHS.

Os pecuaristas relatam dificuldade em vender lotes terminados em função da falta de compradores. “Os custos elevados da nutrição não permitem manter os animais por mais tempo no cocho, o que reforça a pressão de baixista nos preços entre as praças pecuárias do País”, ressalta a IHS.

Ao mesmo tempo, continua a consultoria, a volta das chuvas no Centro-Sul também prejudica o manejo nas fazendas.

Segundo a IHS, novas quedas na arroba foram contabilizadas no MT, GO, MG, TO, PA e RO, estados com forte participação das vendas externas em sua dinâmica de mercado.

Na bolsa B3, as cotações dos contratos futuros do boi gordo tiveram forte recuo no fechamento de quarta-feira e continuam em queda no pregão desta quinta.

O contrato para outubro/21 chegou ao menor valor desde o final do mês de dezembro do ano passado, relata a IHS.

As baixas ainda estão fundamentas em movimentos de liquidação de posições em decorrência de lentidão dos negócios no mercado físico, justifica a consultoria.

“O setor ainda não consegue enxergar um ambiente de suporte aos preços diante das incertezas geradas pela ausência da China nas compras de carne”, ressalta a IHS.

No atacado, os preços dos principais cortes bovinos, bem como do sebo e do couro industrial, se mantiveram estáveis nesta quinta-feira.

Muitas indústrias habilitadas para exportação relatam possuir excedentes em seus estoques de produto que seria destinado à China e alegam ter que desovar parte desta oferta no mercado doméstico, informa a IHS.

O cenário é ainda mais preocupante, pois se avança para o período de segunda quinzena de mês, quando o consumo interno costuma retrair, devido ao menor poder aquisitivo da população, observa a IHS.