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Artigo Técnico

Período de Transição - Estratégia Nutricional para obter lucro

19 março 2010 - 00h00

Liéber de Freitas Garcia Em países tropicais as gramíneas que fazem parte do banco de forrageiras para a pecuária sob pastejo, possui características intrínsecas. No período chuvoso apresentam-se com boa oferta de massa e boa qualidade.

As folhas contém proteínas e carboidratos fibrosos suficientes para um ganho de peso médio na ordem dos 500 a 600 gramas diários em bovinos. No entanto, nos meses de março à maio na maioria das regiões, as chuvas começam a ficar escassas, fazendo com que dessa forma a planta entre em senescência, ou seja, começa a desviar reservas nutricionais das folhas para as sementes, para garantir a sobrevivência da mesma.

Com isso, as folhas passam a diminuir o teor protéico saindo de 7% para 4 a 5%, aumentam os componentes da parede celular que não são digeridos pelas bactérias ruminais como a lignina e a celulose complexada à lignina e por fim, há uma queda nos níveis de minerais essenciais aos ruminantes como o fósforo, sódio, potássio, cobalto dentre outros.

Como os bovinos em pastejo, se alimentam exclusivamente das folhas, e não dos talos das gramíneas, o resultado nesse período é uma diminuição no ritmo de ganho de peso nesse período. Os animais que vinham obtendo ganhos ao redor das 600 gramas na estação chuvosa, passam a obter 200 a 300 gramas por dia, até chegarem a perder peso nos meses subseqüentes, caso não seja fornecido um suplemento rico em proteínas e minerais.

Para manter os ganhos nivelados com os ganhos no período chuvoso, o chamado “período de transição águas-secas” necessita de um cuidado especial pelos nutricionistas de ruminantes sob pastejo. É necessário fornecer um Suplemento Protéico-Mineral Extra, onde seja suprida a falta dessa proteína oriunda da forragem.

Os suplementos extras para a fase de transição necessitam ter em sua formulação, uma fonte de proteína verdadeira que complemente a do capim, uma fonte de proteína não verdadeira (uréia) para nutrir a flora microbiana responsável por digerir a fibra do capim em transição e uma fonte de energia prontamente fermentável como o amido, pois o capim ainda encontra-se meio verde e meio seco, além de minerais como fósforo, cálcio, enxofre, sódio, cobalto, iodo, zinco e cobre.

O suplemento ideal (com benefício x custo positivo) deverá ser balanceado para um consumo por volta das 400 gramas/dia, contendo ao redor de 30 a 35% de Proteína Bruta e se possível, aditivado com probióticos que maximizem a degradação da forragem em transição. Dessa forma o resultado é a manutenção dos ganhos médios no período chuvoso, fazendo com que o animal, reduza seu tempo de permanência dentro da propriedade aumentando o retorno em produtividade (@/ha).

Esse período de transição, além de estratégico, servirá para aquele produtor que necessita vender seus animais antes que se inicie o período seco de fato. Diminuindo, se necessário, a lotação média da fazenda ou confinando animais mais pesados, reduzindo assim o período de permanência no sistema economizando em diárias alimentares.

Liéber de Freitas Garcia - Zootecnista pela FCAV-UNESP/Jaboticabal-SP, especialista em nutrição de ruminantes, Consultor Técnico da Premix-Técnica em Suplementação nos Estados de MG, GO, ES, RJ e BA.