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Pecuária Pantaneira é destaque da Revista Globo Rural – Maia diz que o assunto veio em boa hora

A Pecuária Pantaneira Sustentável ganhou destaque na Revista Globo Rural. A matéria ganhou oito páginas e aborda como a produção orgânica é realizada e como pecuaristas criam gado solto sem derrubar a mata e ainda ganham dinheiro com o boi verde.

13 outubro 2009 - 12h01
Pecuária Pantaneira é destaque da Revista Globo Rural – Maia diz que o assunto veio em boa hora

A Pecuária Orgânica, existente há mais de 250 anos no Pantanal, ganhou destaque na última edição da Revista Globo Rural, uma das maiores e mais importantes revistas rurais do Brasil. O Boi Verde ganhou a capa da revista e uma matéria que rendeu oito páginas. No texto, produzido por Sebastião Nascimento com fotos de Ernesto de Souza, é abordada a maneira como a produção orgânica é realizada e como pecuaristas criam gado solto sem derrubar a mata e ainda ganham dinheiro com o boi verde.

 

Os municípios sul-mato-grossenses de Aquidauana, Rio Negro e o coração do Pantanal, a Nhecolândia (a maior área do Pantanal, com mais de 23.600 quilômetros quadrados de extensão) em Rio Verde, serviram de cenário, fonte e inspiração na produção do material. Pecuaristas roubaram a cena e se tornaram personagens principais de um dos assuntos que tem ganhado mídia nacional: como produzir e preservar.

 

O Pantanal Brasileiro possui uma área de 150 mil quilômetros quadrados e é dividida em 11 sub-regiões, sendo que 65% desse território é sul-mato-grossense. Nessa região, produtores, na maioria tradicionais, usam o mesmo pasto há anos. De acordo com o texto, o uso do pasto nativo na alimentação do gado e o manejo adaptado ao ciclo de cheia e seca garantem a sustentabilidade.

 

São mais de 4 milhões de cabeças, sendo que 90% são da rústica raça nelore. Cada hectare de pasto no Pantanal recebe somente uma rês, ou seja, a produtividade é baixa. O Brasil possui um plantel próximo de 180 milhões de bovinos. O trabalho das ONGs e Embrapa ficou encoberto devido ao barulho provocado pela questão do desmatamento na Amazônia, quando indústrias deixaram de comprar carne de regiões supostamente acusadas de derrubar árvores.

 

“O boi é o bombeiro do Pantanal”, assim define Leonardo de Barros, presidente da ABPO (Associação Brasileira de Pecuária Orgânica) quanto ao bioma do Pantanal.

Na reportagem, Leonardo apresenta a parceria entre a ABPO e a ONG WWF-Brasil, onde criaram um protocolo interno de processos produtivos e de responsabilidade socioambiental para a produção de carne orgânica. A WWF-Brasil foi uma das ONGs responsáveis pelo estudo que constatou a integridade da vegetação nativa do Pantanal.

 

Presidida pelo fazendeiro Francisco Maia, a Acrissul defende a criação de um selo de origem para a pecuária sustentável do Pantanal. “Queremos mostrar que não tempos apenas tuiuiús e rios maravilhosos, mas também pecuária sustentável e boi verde”. Segundo ele, o produtor pantaneiro está descapitalizado e é preciso que o governo volte os seus olhos para a região. “Tanto se fala do desmatamento da Amazônia e nenhuma linha é voltada para o nosso bioma virgem. Quem preserva é que merece apoio”, completou Maia.

 

Sebastião Nascimento finaliza a matéria com frases lembradas pelos pantaneiros explicando sobre a região de forma sucinta: “O Pantanal ensina”, Abílio de Barros, autor do livro Gente Pantaneira; “O Pantanal não aceita desaforos”, Tony Moura, fazendeiro em Aquidauana; “O que está em extinção no Pantanal é o homem, não os bichos”, Cezar Augusto Carneiro Benevides, historiador e autor do livro “Miranda Estância”.

 

ABPO

A ABPO é formada por 16 fazendas certificadas para a produção de carne orgânca que seguem critérios rígidos como proibição do uso de uréia na alimentação do gado e de hormônios para engorda, além de tratamento a base de fitoterápicos e homeopáticos em caso de doença. O foco está no respeito ao meio amniente.

 

Certificação do Boi Verde

Recentemente, pecuaristas pantaneiros, a ABPO e diversas outras entidades ligadas a Pecuária Orgânica, estiveram na Assembléia Legislativa de Campo Grande (MS) entregando aos parlamentares da Casa, uma pesquisa realizada pela Embrapa Pantanal, onde aponta que mais de 85% do bioma do Pantanal contém a sua vegetação nativa preservada. A intenção é criar um selo para toda a produção orgânica e sustentável da região Pantaneira.

 

Para Chico Maia, presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) a matéria veio em boa hora. “Estamos em uma luta para a conquista da certificação dos produtos orgânicos e, ganhar uma mídia desse porte só tem a fortalecer o ideal dos pecuaristas que abraçam a causa da sustentabilidade”, finaliza.