Menu
Busca quinta, 29 de outubro de 2020
Busca
(67) 3345-4200
Campo Grande
25ºmax
19ºmin
Notícias

País quer exportar ginseng brasileiro

10 fevereiro 2010 - 00h00Por Estadão.

Em Querência do Norte (PR), produtores estão cultivando ginseng brasileiro (Pffafia glomerata), planta rica em potássio e cálcio. Segundo o técnico agropecuário da Associação de Pequenos Agricultores de Ginseng de Querência do Norte (Aspag), Misael Jefferson Nobre, esse ginseng melhora a circulação, ativa a memória, purifica o sangue e é revigorante. "O ginseng mais famoso é o da Ásia, mas o nosso está ficando conhecido. Podemos até exportar, pois somos os únicos produtores de ginseng autorizados pelo Ibama."

A região tem 50 agricultores que cultivam a planta, objeto de pesquisa da Emater-PR há 10 anos. Nativa das margens do Rio Paraná, ela era coletada da natureza, mas com o tempo sua ocorrência diminuiu. "Como ficou difícil achar a planta no mato, as pessoas botavam fogo. A primeira planta a rebrotar era o ginseng brasileiro." Com a produção de mudas, a prática foi abolida e, há cinco anos, começou o plantio comercial. Cada produtor planta, no máximo, 1 hectare, que rende de 5 a 7 toneladas. O cultivo é orgânico e só é processada a raiz, onde está o princípio ativo.

A planta é vendida desidratada ou em pó e os produtores dividem uma unidade de beneficiamento. Um pacote de 100 gramas custa R$ 5 e a meta é vender o produto para farmácias, que pagam até R$ 45 o quilo do ginseng.

Praga - Outro ginseng (Pffafia paniculata) também chamado de ginseng brasileiro, mas diferente do Pffafia glomerata, é fonte de renda para o produtor Heitor Luiz Antoniazzi, de Cachoeira Paulista (SP). Ele diz que conheceu a planta em Altamira (PA) e a reencontrou no Vale do Paraíba. "Pesquiso a planta há 25 anos e descobri que é considerada praga em pastagens. Quando o pasto é limpo, a planta é eliminada, mas a raiz permanece e ela rebrota. E é justamente a raiz que contém o princípio ativo, que atua em células doentes", explica.

Após anos de estudo, Antoniazzi montou uma rede de 50 vendedores, espalhada pelas regiões de Taubaté, Caçapava e Bananal. Ele compra a planta desses vendedores, beneficia e vende a raiz triturada para uma empresa em São Paulo. Ele paga R$ 2 o quilo da planta; depois de processada, o quilo passa a valer R$ 15. "Compro, em média, 1 tonelada por semana, mas como a planta tem muita umidade, de 1 tonelada sobram 300 quilos."