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Rastreabilidade

O porquê da rastreabilidade na Austrália

25 março 2010 - 00h00

A rastreabilidade sempre foi vista pelo produtor brasileiro como uma forma de ser melhor remunerado pelos frigoríficos. É exigência da União Europeia, mercado que paga o maior preço pela carne, e tem de ser cumprida, daí vem os ganhos. Mas, na Austrália o sistema foi implantado depois que resíduos de agrotóxicos foram encontrados em carne enviada à Coréia.
 

Conforme Troy Setter, depois que eles passaram pelo constrangimento de não saber explicar de que região do país veio a carne contaminada com inseticida as coisas tiveram de tomar outros rumos na pecuária de lá. “A partir daí tivemos de trabalhar para mudar a imagem de nossa carne. Tínhamos de assegurar que era livre de contaminação e saudável”, disse Setter. O sistema deveria mostrar a sanidade do rebanho e ser à prova de fraude.
 

Ele contou que uma das melhores áreas para a produção de carne é o sul da Austrália, onde se cria Angus e Hereford, no entanto, a mesma área é cobiçada por plantadores de algodão, que espalham pesticidas. “Gado ao redor dessas áreas não pode ser exportado”. Mais um motivo para se implantar a rastreabilidade.
 

O sistema deu certo, e as chaves para o sucesso, segundo Setter, são: identificação por propriedade e também por animal; informações sobre os animais do nascimento até o abate, ou exportação; e conscientização dos pecuaristas.
 

“A educação dos fazendeiros foi muito importante. Nós preferimos o sistema de recompensas ao invés de impor as regras”, destaca. “No início, os produtores implantaram a rastreabilidade pensando na cadeia da carne, na indústria. Mas depois perceberam que eles mesmos poderiam usar a rastreabilidade no controle de suas fazendas”, disse.
 

De acordo com o palestrante, os dados são inseridos no sistema por todos os elos da cadeia via internet . Lá não existe brinco ótico, por lei todos têm de ser eletrônicos. Quem insere os dados pela primeira vez é a fábrica dos brincos, depois o fazendeiro, e daí até o abate, cada transação ou evento, como doenças, têm de ser registrados. “Há um veterinário que faz a inspeção dos rebanhos e registra se encontrar algum problema sanitário, tudo fica gravado. Outra vantagem do sistema é que, quem vai comprar um gado pode ter acesso às informações dos animais. Assim, se há registro de doença ou contaminação isso é levado em conta na hora da negociação”.
 

Respondendo a uma pergunta da platéia, Setter disse que, no caso de haver um brinco perdido, a rastreabilidade daquele indivíduo não se perde. Um brinco laranja é colocado em substituição aquele perdido e recebe as mesmas informações do lote ao qual o animal pertence; depois de algum tempo em observação entra novamente no sistema como se nada tivesse acontecido. “É muito importante lembrar que a honestidade é fundamental na rastreabilidade australiana”, salientou.
 

Outro fator que merece destaque na rastreabilidade da Austrália é a legislação a respeito do assunto que, ao contrário da brasileira, não sofreu modificações ou adendos desde que foi criada. “As regras são as mesmas deste o início”, ressaltou.