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Minc quer meta de 40% de redução na emissão de CO2 para 2020

28 outubro 2009 - 00h00Por Portal do Agronegócio

A meta, se aceita pelo presidente, será apresentada pelo Brasil em dezembro, na Conferência da Organização das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, em Copenhage, capital da Dinamarca.

O objetivo de Minc é reduzir a meta projetada para 2020, de 2,7 bilhões de toneladas de CO2 por ano, para cerca de 1,6 bilhão. A proposta, segundo o ministro, é ainda melhor que a apresentada no último 13 a Lula. O projeto inicial previa que o país congelasse até 2020 a emissão de CO2 aos níveis de 2005, ano em que as emissões chegaram aos níveis de 2,1 bilhões.

Já as metas em relação à Amazônia serão mantidas, sendo que a perspectiva de redução no desmatamento será de 80%. A ex-ministra do Meio Ambiente e atual senadora Marina Silva (PV-AC) defendeu que o desmatamento chegasse a zero. Minc, porém, disse que é preciso ser realista. “ Quero desmatamento zero, pobreza zero e analfabetismo zero. Entre a intenção e o gesto precisamos ser menos propagandistas e mais realistas”, afirmou.

Agropecuária

Minc anunciou nesta terça a nova estimativa de emissões de CO2 do setor agropecuário. O estudo mostra que o setor passou a emitir 30% a mais de dioxido de carbono e gases equivalentes no período de 1994 a 2007. Segundo os dados, as emissões da pecuária aumentaram 25%, enquanto o uso do solo provocou acréscimo de 39%.

De acordo com a estimativa de gases de efeito estufa, a agropecuária responde por 25% das emissões do país. Mais de 50% do CO2 emitido no Brasil vem do desmatamento. O estudo destaca ainda que as emissões também aumentaram na área de energia (54%), nos processos industriais (56%) e no tratamento de resíduos (32%). Desse modo, a proposta de aumento da meta de redução da emissão de CO2 pelo Brasil acontece num cenário de crescimento das emissões.

Meta ousadíssima

“Nenhum país em desenvolvimento está apresentando metas iguais a do Brasil. Em relação aos países em desenvolvimento, a meta é ousadíssima. A Índia está dizendo que vai triplicar suas emissoes até 2020. A China quer aumentar de 1,5 a 2 vezes”, comparou Minc.

O ministro acrescentou que as metas sugeridas de redução de 40% estão baseadas na possibilidade de o país crescer até 4% ao ano. Outros dois cenários também foram desenhados, com as perspectivas de crescimento do Brasil em 5% e 6%. No melhor cenário para a economia brasileira, que seria de 6%, a meta de 40% de redução não poderia ser cumprida. Para Minc, porém, este cenário é bastante improvável.

Para atingir a queda nas emissões de 40%, Minc avisou que o Brasil pretende reduzir 20% "com as próprias pernas" e outros 20% com recursos que devem vir dos fundos destinados a iniciativas de contenção da emissão de CO2. “O presidente Lula pediu para que as áreas definissem como cada setor vai contribuir, quanto vai cortar da pecuária, da indústria, etc. De que forma, quanto custa”, resumiu.

O governo brasileiro, membro do Grupo dos 77, composto por países em desenvolvimento, defende que os países ricos contribuam com algo entre 0,5% e 1% do PIB anual para a manutenção dos fundos.

“Ainda existe um grande abismo entre a posição dos países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. Vários países desenvolvidos não definiram suas metas ainda. O Brasil terá a meta mais ousada entre os países significativos em desenvolvimento e, assim, poderá ser uma ponte para evitar o fracasso no tratado de Copenhage”, analisou Minc.

"A ameaça de fracasso é real e concentra sobretudo nos países ricos. Hoje os países em desenvolvimento já emitem tanto quanto os ricos, mas as geleiras estão derretando por causa das emissões dos últimos 70 anos”, completou o ministro, se referindo à importância de os países ricos colaborarem de forma mais efetiva para a redução de CO2 no planeta.

Reunião de emergência

O ministro disse que irá viajar nesta quarta-feira (28) para Barcelona, Espanha, para uma "reunião de emergência convocada pela ministra de Meio Ambiente da Dinamarca", país anfitrião da conferência marcada para dezembro. Minc teme que o assunto seja uma "tentativa de salvação" das discussões climáticas de Copanhage, pois há temor em relação ao posicionamento dos chamados países riscos, como os Estados Unidos.

O encontro de ministros será parelelo a uma reunião já prevista para técnicos membros do Grupo dos 77, que deverão acertar em Barcelona, na semana que vem, os últimos detalhes dos planos dos países em desenvolvimento antes de Copenhage.