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JBS aposta na distribuição direta para aumentar margens

29 abril 2010 - 00h00Por Valor Econômico, por Ana Paula Ragazzi.

A JBS teve de convencer o mercado sobre as vantagens da captação por meio de uma oferta pública de ações para conseguir concretizar a operação. A companhia fechou anteontem o preço da distribuição, que ficou em R$ 8 por papel, um desconto de 1,3% sobre o valor na bolsa.

Nas reuniões com investidores para apresentar a oferta, a JBS destacou que a operação proporcionará o aumento da distribuição direta da empresa e resultará na melhora de resultados e margens.

Nas conversas com o mercado, a JBS reforçou dois pontos principais, segundo apurou o Valor. O dinheiro captado está carimbado - será inteiramente usado no plano que prevê o aumento da distribuição direta, hoje responsável por 6% dos negócios, mas que deverá chegar a 60% em um prazo de dois ou três anos. Se no meio do caminho a empresa tiver novos planos, como oportunidades de aquisições, lançará mão de outras operações de financiamento.

O outro ponto destacado é que a oferta aumenta a quantidade ações da JBS em circulação no mercado dos atuais 12% para 19%. Os controladores, as famílias Batista (JBS) e Bertin, juntas na FB Participações, tiveram seu percentual reduzido de 59% para cerca de 55% - ainda com folga para novas emissões sem que a diluição implique perda de controle.

Dentro da estratégia de ampliar a distribuição direta, a JBS vai reduzir ao máximo o número de intermediários nas vendas internas e externas de seus produtos. Nas contas da empresa, implicará um aumento de dois pontos percentuais na margem lajida, que saíra da casa dos 7% para a de 9%. A margem lajida indica a relação entre o lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização (lajida) e a receita líquida da empresa.

A notícia agradou os investidores e fez com que muitos deles não esperassem o fechamento do preço da oferta para comprar as ações da JBS, o que explica a alta das cotações na bolsa.

O plano detalhado aos investidores apresenta custos estimados para a operação de aumento da distribuição direta de US$ 1,95 bilhão, valor inicialmente pretendido para a captação da empresa no exterior e menor do que a companhia captou na oferta no mercado doméstico. Mas a JBS acredita que o plano será sustentado também pela sua geração de caixa.

A empresa deverá comprar as unidades daqueles que hoje trabalham com seus distribuidores e quer fazer isso com rapidez para que eles não tenham tempo de encontrar um plano B, fechando negócios de fornecimento para outras redes e reduzindo a dependência da JBS.

O quadro apresentado aos investidores mostra que 72% do programa de US$ 1,95 bilhão serão aplicados nas Américas do Sul e do Norte. Na primeira região, a distribuição direta passará de 23% a 70%, com custo estimado de US$ 500 milhões. Na América do Norte, a distribuição direta deverá subir de 7% para 55%, com gastos de US$ 900 milhões. Para a Europa, US$ 300 milhões serão alocados, e a distribuição direta passará de 20% para 70%. Na Ásia, subirá de 5% para 40%, ao custo de US$ 150 milhões. Na África, irá de 40% para 75%, com US$ 100 milhões.

As apresentações que a empresa fez aos investidores tiveram duas etapas. Na primeira, executivos da companhia falaram sobe o negócio. Depois, os investidores foram convidados para conversas com Pratini de Moraes, ex-ministro da Agricultura e hoje conselheiro da empresa. Pratini discorreu sobre o setor de proteínas no Brasil.

A matéria é de Ana Paula Ragazzi, publicada no Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.