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Gripe aviária deve impulsionar exportações de carne de frango do Brasil, diz JBS

16 março 2017 - 00h00Por Notícias Agrícolas

Os retornos financeiros do mercado brasileiro de frango nas operações da Seara, empresa da JBS, deverão aumentar trimestre a trimestre em 2017, disse o presidente-executivo, Wesley Batista, em reunião com investidores, graças às condições do setor no país, tradicional exportador de frango.

A Seara teve um ano "desafiador" em 2016, devido ao aumento dos preços do milho, já que o preço de venda internacional dos produtos brasileiros de frango enfraqueceu, enquanto o real em alta reduziu os retornos em moeda local, conforme disse Batista.

No entanto, ele aponta todas estes pontos mais tranquilos para a produção de frango no ano atual, como os preços do milho e o aumento da demanda, trazendo melhores margens.

Margens para ampliar

"O que estamos vendo é uma colheita muito grande no Brasil e o preço dos grãos, especificamente o milho, já está caindo a um preço que vai ajudar a melhorar as margens", disse Batista.

Os preços do milho subiram para cerca de R$50 a saca no ano passado, mas atualmente são muito menores, em torno de R$35 a saca, de acordo com o Cepea.

O preço local do milho "estará de volta na faixa dos R$20 ao longo de 2017", avalia Batista.

Exportações

Para os preços internacionais de frango, Batista disse que "a indústria agora está mais equilibrada e, como estamos vendo os preços nos mercados internacionais se recuperando, isso também vai ajudar a melhorar a margem".

A volatilidade real também está facilitando, o que é uma boa notícia para o negócio.

"Estamos vendo uma tendência de o país ganhar mais com o preço nas exportações do que no volume, porque no final de 2016, quando o real foi "longe demais", houve muita atratividade na indústria para aumentar o volume no mercado de exportação [do que aumentar o preço no mercado de exportação]", também avaliou Batista.

"Otimismo cauteloso"

Os comentários de Batista são apoiados por um relatório do governo norte-americano nesta semana, que mostrou que a produção e exportações de aves brasileiras cresceram 4% e 10%, respectivamente, em 2017, graças, em parte, à queda ocasionada pela gripe aviária em outros países e do milho em mercados concorrentes.

"Os produtores de frango enfrentaram um aumento nos preços do milho de quase 50% em 2016 devido a uma grande seca, que afetou a produção do cereal", disse o escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília.

"Em 2017, uma nova colheita de milho já está entrando no mercado e, assim, os custos de alimentação diminuíram".

"Atualmente, há um otimismo cauteloso entre os produtores e os empacotadores de que as margens de lucro melhorarão este ano, suportadas não só pela redução dos custos de produção, mas também pelo aumento das exportações", acrescentou o USDA.

Aumento da gripe aviária

Batista também sugeriu que a "interrupção" nos mercados globais de frango causada pela gripe aviária também é uma boa notícia, desde que o Brasil não seja afetado.

Para a JBS como um todo, o fato de ser proprietária de empresas de frango no Brasil, Estados Unidos, México e Europa deixa a empresa em várias situações em relação ao risco de proibições de exportação em certos mercados.

"Portanto, estamos bem posicionados para lidar com qualquer interrupção vinda do mercado", disse ele.

O USDA em Brasília também sugeriu que o crescimento projetado nas exportações brasileiras será "principalmente devido ao impacto negativo da gripe aviária em vários países".

De acordo com os comerciantes brasileiros, há uma demanda adicional estimada entre 500.000 a 650.000 toneladas no mundo devido à Influenza Aviária em vários países, como China, Chile e outros.

Excesso de otimismo

Países com registro de Influenza Aviária tiveram sua produção local prejudicada, aumentando a necessidade de compra. Além de nações exportadoras, que também registraram a doença, estarem 'banidas' por importadores.

Por outro lado, o vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, em entrevista ao Notícias Agrícolas, alertou para o excesso de otimismo. "Dizer que há influenza Aviária no mundo, significa que podemos aumentar a produção é um erro", diz.

Mas, o resultado poderia ser ainda mais positivo com dólar atrativo. Segundo Santin, o produtor brasileiro ainda é competitivo no cenário internacional, no entanto, perdemos parcela desse grau de competitividade desde as recentes valorizações da nossa moeda frente ao dólar.

Segundo dados da ABPA, os embarques totais de frango - considerando produtos in natura, embutidos e processados - alcançaram 33,2 mil toneladas em fevereiro deste ano. Volume 3,2% superior as 319,9 mil toneladas efetivadas no mesmo período do ano passado e 24% maior em receita.