O grande trunfo do Girolando, hoje, está em entregar aquilo que a pecuária leiteira mais procura no campo brasileiro, que é produção com adaptação. Esse foi o principal ponto destacado pelo presidente do Núcleo Girolando MS da Acrissul, Alessandro Coelho, ao comentar a importância da raça para Mato Grosso do Sul e também o significado do julgamento realizado nesta segunda-feira (13).
Na avaliação dele, o Girolando ocupa um espaço estratégico justamente por unir duas características que, durante muito tempo, pareceram difíceis de equilibrar na mesma matriz produtiva, envolvendo a rusticidade e alta produtividade.
Em regiões de clima tropical, como grande parte de MS, não basta ter um animal capaz de produzir muito leite. É preciso, antes de tudo, que ele consiga responder bem ao ambiente, ao manejo e às exigências do sistema produtivo. E é exatamente nesse ponto que o Girolando se destaca.
A raça, desenvolvida no Brasil, responde por cerca de 80% do leite produzido no país, segundo dados citados pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando com base na Embrapa. A própria associação define o Girolando como uma raça marcada por alta produtividade, rusticidade, precocidade, longevidade, fertilidade e adaptação a diferentes condições de clima e manejo.
Ao explicar essa diferença em relação a outras raças leiteiras, Alessandro foi direto ao ponto. “O principal fator é unir a rusticidade com a produtividade. Então ela fica no melhor dos mundos dentro do clima tropical. Ela consegue ser produtiva, ser rústica”, afirmou.
Segundo o presidente do Núcleo Girolando MS, essa capacidade vem da própria formação genética da raça. O Girolando nasce do cruzamento entre o gir e o holandês. Cada uma oferece uma qualidade essencial para o resultado final. “É diferente, por exemplo, que é uma cruza do gir com o holandês. O holandês extremamente produtivo, o gir extremamente rústico. Quando você junta essas duas raças, ele dá origem ao girolando”, explicou. Em outras palavras, o que o produtor encontra no Girolando é uma síntese entre volume de produção e adaptação ao ambiente.
Alessandro também chamou atenção para os diferentes graus de sangue trabalhados no melhoramento genético. Para ele, esse é um ponto decisivo para garantir estabilidade nas características desejadas. “Você tem uns graus de sangue dentro do Girolando, é onde eles são trabalhados. Você chega nos cinco oitavos, que você consegue fazer uma cruza o 5/8 com o 5/8 e continua dando um padrão eficiente de produção com muita produção e muita rusticidade”, disse.
Esse padrão racial, aliás, é um dos marcos do desenvolvimento da raça no país. A Associação Brasileira dos Criadores de Girolando destaca que a composição 5/8 Holandês + 3/8 Gir representa a fixação do padrão racial do Girolando reconhecido oficialmente no Brasil. A entidade também reforça que a raça foi desenvolvida em território nacional e se consolidou como uma solução adaptada à pecuária tropical.
Foi justamente por isso que Alessandro Coelho destacou a origem brasileira da raça como um diferencial competitivo importante. “Uma raça desenvolvida aqui no Brasil, é uma raça originária aqui do Brasil, e hoje a gente consegue exportar esse gado para vários países de clima tropical. E ela continua sendo muito eficiente”, afirmou.
Animais da raça Girolando foram avaliados durante julgamento realizado no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande - Crédito: A Crítica


