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Fiscalização volta a apontar indícios de fraude em leite

15 abril 2010 - 00h00Por Valor Econômico, por Alda do Amaral Rocha.

Sete estabelecimentos produtores de leite do país foram submetidos, no começo da semana passada, ao Regime Especial de Fiscalização do Ministério da Agricultura, segundo o Centro Integrado de Monitoramento da Qualidade dos Alimentos (CQuali Leite).

Isso ocorreu depois de análises de leite constatarem, segundo o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do ministério, "indícios de fraude" em amostras de produto dos seguintes estabelecimentos: Bom Gosto, em Tapejara (RS), Nilza, em Ribeirão Preto, da Jussara, em Patrocínio Paulista (SP), J.C. Indústria e Comércio de Lactose e Laticínios Ltda., em Manaus (AM), Cordilat, em Canindé de São Francisco (SE), Agropecuária Irmãos Avelino Ltda, em Paraíba do Sul (RJ) e o Laticínios Pavlat Ltda., em Paverama (RS).

Ontem, após novas análises de leite, Bom Gosto e Nilza foram liberadas do regime, segundo o Dipoa, que é responsável pelo Programa Nacional de Combate à Fraude no Leite. A Jussara afirmou que não foi submetida ao regime.

No regime especial, os estabelecimentos produzem, mas não podem comercializar seus produtos até que novas análises mostrem que o problema foi sanado e que apresentem um Plano de Medidas de Controle e Monitoramento da Qualidade e Conformidade, aprovado pelo Serviço de Inspeção Federal.

No caso da Bom Gosto, a CQuali informou que foi constatada a presença de amido em amostra de leite UHT, o que "indica suposta correção da densidade do leite alterada por adição de água ao produto". A Bom Gosto informou que na segunda já foi excluída do regime especial. Conforme a empresa, depois da notificação do ministério, amostras de três lotes de leite UHT foram encaminhadas a laboratórios credenciados, sem que tenha sido detectada qualquer anormalidade nos produtos.

A Nilza entrou no regime especial depois que análises de leite "demonstraram indicativos de adição de soro, proveniente do processamento do queijo, no leite UHT", de acordo com o CQuali. No fim da tarde de ontem, a empresa informou que havia saído do regime após novas análises do ministério.

A suposta adição de soro também foi o problema encontrado em amostras de leite longa vida da Jussara, segundo o CQuali. A empresa contesta. O diretor Laércio Barbosa afirmou que a metodologia de análise usada na fiscalização é "falha" porque aponta falso positivo e que o próprio ministério reconheceu isso, tanto que instrução normativa da pasta instituiu uma nova metodologia para impedir que isso ocorra.

Barbosa disse que uma segunda análise em laboratório credenciado não indicou a presença de soro em leite da Jussara. "Não temos produto com irregularidade", afirmou ele, acrescentando que a empresa não deixou de comercializar.

Também houve indício de adição de soro em amostras de leite da J.C. Indústria e Comércio, da Cordilat e da Agropecuária Irmãos Avelino Ltda. A Pavlat foi proibida de comercializar leite UHT "devido a resultados de análises sucessivos que não atendem aos padrões legais vigentes", informou o CQuali, iniciativa conjunta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, e do Ministério da Agricultura. (Colaborou Sérgio Bueno)