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Nutrição Animal

Fabricar a própria ração começa pela organização

25 fevereiro 2010 - 00h00

A atividade pecuária é estreitamente ligada à nutrição dos animais. Afinal, o gado responde àquilo que come. Se o produtor estiver buscando resultados mais rápidos para se ganhar no giro do negócio, uma alternativa é fazer a complementação alimentar do rebanho com ração. M

antendo os custos na ponta do lápis, quem resolver fazer a própria ração pode aumentar o ganho da fazenda. A dica do zootecnista e professor da UCBD (Universidade Católica Dom Bosco), Luis Carlos Vinhas Ítavo, para quem está pensando em produzir o suplemento e aumentar a produtividade da fazenda, é começar separando os animais por idade, raça, porte e lactação.

Ele explica que em cada fase os animais têm diferentes necessidades e a ração certa vai ajudar a otimizar os resultados sem haver desperdício de dinheiro. “Os novilhos e bezerros de corte, por exemplo, estão em fase de desenvolvimento dos ossos e músculos, portanto, necessitam de mais proteína na alimentação.

O animal adulto, em fase de acabamento, precisa ganhar gordura, então um complemento com mais energia tem de ser dado”, esclarece. Para animais confinados, uma ração para gado de corte pode ter, segundo o professor, entre 12 e 15% de proteína e 70% de NDT (nutrientes digestíveis totais) que estão relacionados com a energia da dieta.

Uma boa proporção para a ração seria de 40 a 60% de volumoso (por exemplo silagem de milho - planta inteira) e o concentrado com algo entre 45 e 50% milho, 30 a 35% farelo de soja, 10 a 15% casquinha de soja e 5% de minerais, podendo conter uréia.

No caso de suplementos para animais a pasto, a quantidade diária a ser fornecida aos animais depende da época do ano, das condições da pastagem e da lotação, e varia entre 300 g até 1 kg por dia por animal. “Quem tem condições de calcular a quantidade certa é um profissional da área de agrárias, como um zootecnista, que vai saber o quanto de proteína o gado recebe do pasto e o quanto precisa ser suplementado”, destaca.

No caso de animais para a produção de leite uma sugestão para o fornecimento de suplemento concentrado vai ser de 1kg/dia para cada 3 ou 4 litros de leite produzidos. O professor alerta para que o produtor faça um controle rigoroso do crescimento das novilhas leiteiras, porque não podem engordar mais que 700g/dia. “Se ela ganha mais peso que isso, há acúmulo de gordura no úbere da novilha/bezerra o que, na fase de lactação, vai significar menos leite. Ela vai ter um úbere grande e bonito, mas uma produção baixa”, explica.

Tanto para o gado de corte, quanto para o leiteiro, Ítavo lembra que a complementação tem de ser constante para se ter resultado. “O ideal é que se use o tempo todo, mesmo que em menor quantidade, caso contrário, o animal pode não se adaptar a uma dieta menos rica em nutrientes”, explica. Controle Como a complementação alimentar é um investimento alto, mesmo quando feito em pequena escala, o produtor tem de estar atento quanto ao retorno do que está investindo.

Para isso o professor Ítavo ressalta que tem de haver um controle individual dos animais; disponibilidade de espaço no cocho – mínimo de 15cm por cabeça. A conservação e administração diária da ração também são fundamentais. “Não aconselho que fique estocada por mais que dois meses. O gado gosta de comida fresca”.

Quanto ao fornecimento diário, Ítavo lembra que é muito importante, pois, caso se dobre a quantidade de ração em um dia para evitar trabalho no outro, o gado pode consumir tudo de forma abrupta, o que pode produzir ácidos ruminais potencialmente letais para o rebanho.

Na estocagem, tem de se ter o cuidado de colocar em um galpão arejado, sem umidade, e que não toque as paredes nem o chão, uma forma de evitar o surgimento de fungos. “Se o produtor ver que a ração mofou, ele tem de descartá-la. Cuidados para evitar o aparecimento de ratos e pombos também não podem faltar, pois esses animais podem transmitir leptospirose e toxoplasmose. O que traz perigo ao rebanho e ao homem”, finaliza.