Os Estados Unidos vão alterar seu programa de garantia de crédito à exportação e criar um fundo de assistência técnica para tentar encerrar uma disputa comercial com o Brasil envolvendo o algodão, confirmou o governo norte-americano na última terça-feira (6). O acordo foi definido de última hora depois de o Brasil ter recebido autorização da OMC (Organização Mundial de Comércio) para aplicar tarifas e suspender proteções a patentes de bens norte-americanos em um total de US$ 829 milhões. A OMC tomou a decisão devido aos subsÃdios ao algodão e garantias de crédito à exportação adotados pelos EUA. O Brasil já havia anunciado na segunda-feira que decidiu adiar de quarta-feira para 22 de abril a entrada em vigor das medidas retaliatórias depois de receber a proposta dos Estados Unidos para uma solução negociada. A decisão da OMC foi significativa porque deu ao Brasil o direito de "retaliação cruzada" com a retirada de proteções a patentes sobre produtos farmacêuticos e quÃmicos e de direitos de propriedade intelectual sobre filmes e músicas. "Nós agora temos um caminho claro pela frente, um que é do melhor interesse tanto dos EUA quanto do Brasil", disse o representante de Comércio dos EUA, Ron Kirk, em comunicado. Já o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que o anúncio das medidas norte-americanas é resultado da "firmeza" da chancelaria brasileira em busca dos interesses nacionais. Segundo ele, os norte-americanos só adotaram essa postura depois que o Brasil deu inÃcio aos procedimentos para retaliar os EUA. "Somente em função disso é que o governo norte-americano entrou numa negociação verdadeiramente séria conosco", disse Amorim durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. No entanto, ele disse que os dois paÃses precisam ainda fechar os detalhes do acordo para ver o "grau de seriedade" das propostas, o que deve demorar pouco mais de dois meses. "Tem muito o que conversar ainda." Ele também lamentou que o desfecho da disputa tenha levado sete anos e meio para ocorrer. "A Justiça é lenta na OMC também." Desafio Kirk e o secretário de Agricultura dos EUA, Tom Vilsack, vão enfrentar nos Estados Unidos o desafio de convencer os legisladores sobre os méritos das mudanças a longo prazo aos subsÃdios agrÃcolas, que vão se tornar um ponto-chave conforme o Congresso trabalha em sua próxima Lei AgrÃcola para 2012. "Estou ansioso para trabalhar com o Congresso e o Brasil para definir uma solução a longo prazo para essa disputa que atenda à s necessidades dos produtores, trabalhadores e consumidores americanos", disse Vilsack. Blanche Lincoln, presidente do Comitê de Agricultura do Senado, e seu colega republicano, Saxby Chambliss, disseram que vão trabalhar com o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) e com a USTR (Representação de Comércio dos EUA) "conforme ambos os lados exploram modificações" para a Lei AgrÃcola de 2012. No curto prazo, o governo dos EUA fará mudanças ao seu programa de garantia de crédito de exportação e trabalhará com o Brasil para criar um fundo de US$ 147,3 milhões por ano para assistência técnica ao setor de algodão brasileiro. Segundo o USDA, todas as garantias de créditos de exportação dos Estados Unidos para o ano fiscal 2010 que não foram usadas serão canceladas a partir de 9 de abril. O USDA diz que qualquer crédito remanescente poderá ser oferecido segundo novos critérios, a serem detalhadas mais para a frente. Em 28 de fevereiro, havia US$ 265 milhões em créditos de exportação não utilizados para o ano fiscal de 2010, de acordo com o site do USDA. O programa de garantias ajuda a impulsionar as vendas ao garantir pagamentos se os compradores honrarem seus pagamentos, o que deixa os concessores de empréstimos mais dispostos a participar do negócio. O Brasil reclama que o programa é de fato um subsÃdio aos produtores dos EUA. O USDA estendeu cerca de US$ 5,4 bilhões em créditos de exportação para uma variedade de exportações agrÃcolas no ano fiscal de 2009, que acabou em 30 de setembro. O Departamento de Agricultura dos EUA também disse que trabalhará para encontrar maneiras de permitir importações de carne bovina in natura do Brasil.
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