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Dívida do Frialto passa de meio bilhão

15 julho 2010 - 00h00Por Diário de Cuiabá.

Representantes do Grupo Frialto, composto pelas sociedades Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos S.A., Agropecuária Ponto Alto LTDA. e Urupuá Indústria e Comércio de Alimentos LTDA, estiveram reunidos no final da manhã de quarta-feira (14), em Cuiabá (MT), com diretores da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Federação da Agricultura de Mato Grosso (Famato) e da Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), apresentaram um relatório com a situação financeira do frigorífico e os possíveis cenários para a continuidade da empresa no mercado e revelaram o valor da dívida global: R$ 564 milhões.

A dívida do Frialto, que entrou com pedido de recuperação financeira em 24 de maio deste ano, de pouco mais de meio bilhão, é formada da seguinte maneira: dos R$ 564 milhões, R$ 453 milhões são devidos às instituições financeiras, R$ 97 milhões aos pecuaristas, R$ 6 milhões relativos à débitos trabalhistas e R$ 8 milhões em frete. Durante a reunião, que durou mais de duas horas, a empresa de consultoria de gestão Galeazzi & Associados, o escritório de advocacia Felsberg e Associados, especializado em processos de Recuperação Judicial, e o representante do Frialto, não especificaram quanto é devido aos pecuaristas de cada um dos cinco estados onde atua/atuava. No entanto, como a maior parte da atividade estava concentrada em Mato Grosso, sede do Grupo, pode-se se estimar que mais da metade do valor deverá ser creditado aos pecuaristas mato-grossenses.

“Esta primeira conversa com os credores é para que possamos apresentar um Plano de Recuperação Judicial que tenha capacidade de pagamento e atenda os interesses dos pecuaristas”, disse Thiago Junqueira, advogado do Frialto. Segundo o consultor financeiro Marcelo Camorim, “essa mesma reunião já foi feita com os bancos na semana passada e nossa intenção é mostrar a base para o Plano de Recuperação que será apresentando no próximo dia 26 de julho e os possíveis cenários econômicos para que a empresa continue em pé”. Os “cenários econômicos” vislumbrados pelo Grupo, também não puderam ser divulgados.

O presidente da Acrimat, Mario Candia, disse que “os produtores estão participando da reestruturação do frigorífico e é importante que conheçamos os números da empresa”. Ele disse que os pecuaristas credores estão recebendo “toda orientação e acompanhamento jurídico para lidar com mais esse processo judicial”. O assessor jurídico da Acrimat, Armando Biancardini Candia, alerta os pecuaristas, para que “fiquem atentos para as datas legais, pois no dia 26 será apresentado o Plano e a partir daí terão 30 dias para fazer as objeções”. A Assembleia Geral de Credores –(AGC) - só deve acontecer depois do mês de outubro.

Rogério Romanini, diretor de relações institucionais da Famato, disse que “é importante para o setor saber se a empresa é viável economicamente ou não, afinal isso dá base para o plano de recuperação judicial”. O produtor rural e presidente da comissão de credores da Famasul, José Lemos Monteiro, acredita que “toda e qualquer aproximação e conhecimento é muito importante, mas, a reunião ficou aquém do esperado, porque queríamos saber como será resolvido o nosso problema, como o pecuarista vai receber e isso não souberam nos responder”.

O PROBLEMA - A paralisação das atividades do Frialto ocorreu no dia 21 de maio e a empresa protocolou o pedido de recuperação judicial na Comarca de Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá, em Mato Grosso, sede do Grupo), no dia 24 de maio. O grupo possui oito unidades de abates em cinco estados (MT, MS, RO, SP, GO). Em Mato Grosso são três plantas, localizadas em Nova Canaã do Norte, Matupá e Sinop (as duas últimas já voltaram a abater), e uma planta em construção em Tabaporã.