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Dependente da 'importação' de hortifrútis, Capital ampliará produção

23 janeiro 2012 - 11h25Por Correio do Estado

A caminho dos 800 mil habitantes e totalmente dependente da "importação" de hortifrútis cultivados em 16 estados brasileiros, Campo Grande deverá ampliá-la para 85% este ano, conforme estimativa da Central de Abastecimento S/A (Ceasa). Há mais de 30 anos, hortifrútis procedentes de outras regiões "invadem" a capital do 5º maior produtor de grãos do País, aonde pontificam grandes estabelecimentos atacadistas, supermercados, restaurantes e consumidores cada vez mais exigentes.

Sem recursos financeiros para instalar um distrito irrigado, mesmo tendo solo favorável e córregos para a captação d’água, a capital alimenta a futura autossuficiência, mirando o exemplo cearense de agropolos.

Em 2011 a Ceasa campo-grandense comercializou 148,3 mil t, numa média de 12,3 mil t por mês. Desse volume, apenas 21,8 mil t (15,29%) dos produtos procediam de Mato Grosso do Sul; São Paulo mandava para cá 44,2 mil t (29,48%) e os demais estados 82,26 mil t (55,33%).

A rede comercial brasileira movimenta cerca de 14 milhões de toneladas de hortifrútis, faturando US$ 10 bilhões anuais. É o setor da agricultura que mais cresce no mundo.

"Já temos a base e o nosso Agropolo de Orgânicos pode começar no dia seguinte à liberação do dinheiro", garante o secretário-adjunto de ciência, tecnologia, turismo e do agronegócio, Natal Baglioni Meira Barros.

Em tempos de cortes de investimentos pela presidente Dilma Roussef, o agropolo depende do urgente empenho de R$ 29 milhões solicitados pelo secretário Edil Albuquerque e pelo prefeito Nelson Trad Filho ao Ministério da Integração Nacional. Enquanto esses recursos não forem empenhados, a situação se agrava: entressafra e clima puxam para o alto o custo do abastecimento, a exemplo do que volta a ocorrer neste primeiro mês do ano.

 Campo Grande e Produtivo

"Precisamos de força política e de competitividade", apela Natal Barros. Ele está convicto de que a consolidação do Projeto Campo Grande e Produtivo (nome dado pelo prefeito) diminuiria essa barreira dos 20% no abastecimento. Ao passo em que a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) se abastece de 400 dos 645 municípios paulistas, os 78 de Mato Grosso do Sul enchem os boxes da Ceasa campo-grandense.

"Esse quadro precisa mudar; aqui temos condições de produzir alface em 40 dias", insiste o secretário-adjunto. Para mudar essa situação, a prefeitura pretende adquirir áreas de 30 a 50 hectares de solo adequado, concentrando os produtores com capacidade de investimento em módulos a partir de um hectare. Depois de uma rígida seleção, deles se exigirá capacidade técnica e financeira.

A escolha de uma área ideal para o futuro distrito irrigado deve ser feita próxima a um curso d’água; em seguida constroi-se a barragem de captação e instala-se o sistema de bombeamento.

Segundo Barros, a adução será feita para as partes mais altas e depois para os lotes dentro do perímetro. "Um produtor com área escolhida terá água encanada na sua porta", ele garante.