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Cure o umbigo do bezerro do jeito certo

04 junho 2018 - 23h59Por DBO Rural

 Que o umbigo precisa ser tratado após o nas cimento do bezerro, todo produtor sabe. O problema é que esse procedimento nem sempre é realizado de forma adequada, o que pode provocar uma série de problemas. “Caruara”, “umbigueira” e “junta inchada” são alguns dos nomes pelos quais os vaqueiros conhecem onfalites e poliartrites, consequências da cura inadequada do umbigo dos bezerros. Segundo o veterinário Enrico Ortolani, professor da FMVZ – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e colunista de DBO, embora a diarreia seja apontada como a principal enfermidade do bezerro de corte (até 30 dias), em muitas situações ela perde longe para as infecções umbilicais e suas complicações, presentes em pelo menos 10% dos animais. Para o veterinário Marcus Rezende, mesmo que os bezerros se recuperem, o prejuízo já estará contabilizado. “Esses animais desmamam 1 @ mais leves e por isso não conseguem acompanhar o desempenho dos contemporâneos, se tornando refugo ou fundo de lote”.

Para evitar que isso aconteça, o produtor deve fazer a cura do jeito certo. “O produto mais indicado para a mumificação do cordão umbilical é o iodo, em concentração de 5% a 10%”, afirma. O consultor diz que costuma misturar ao iodo um produto comercial à base de ácido pícrico. “Esse medicamento é extremamente amargo, evitando que as vacas lambam o umbigo da cria, comportamento instintivo, mas que pode provocar lesões por tração do cordão umbilical”, explica. Para promover o tratamento, o indicado é colocar a solução em um frasco de boca larga e mergulhar o cordão umbilical nele por pelo menos um minuto. “O produtor pode utilizar a tampa do matabicheira, que serve perfeitamente para isso”, afirma. Outra opção são os copos aplicadores, muito utilizados em manejos de pré e pós-dipping em vacas leiteiras, mas é importante dar preferência àqueles “sem retorno de líquido”, que restringem a aplicação a uma única vez, já que o iodo perde sua ação quando em contato com a matéria orgânica, o que desaconselha sua reutilização.
 
Não há necessidade de cortar o umbigo, salvo em situações muito específicas. “Animais filhos de FIV (fecundação in vitro) têm, em geral, umbigos maiores e mais sensíveis, exigindo assim mais cuidado na sua profilaxia e cura”, afirma Rezende. Caso haja necessidade de corte, o procedimento deve ser feito com tesoura limpa e desinfetada, a 5 cm (largura de dois dedos) a partir da base de inserção do umbigo. Muito comum no campo, o uso de sprays matabicheiras não promove a mumificação do cordão umbilical, servindo apenas para repelir moscas, mas por curto período. “Para se evitar bicheiras, pode-se medicar o bezerro, ao nascimento, como produtos à base de avermectina”, diz Ortolani. Segundo o professor, há um detalhe a ser destacado na prevenção de infecções umbilicais. “A gravidade das onfalites é muito dependente da quantidade e rapidez com que os bezerros ingerem o colostro. Recém-nascidos que tomaram pouco colostro podem morrer a partir de quadros de onfalite”.
 
Porta fechada para as bactérias
 
Canal de comunicação entre mãe e feto, o cordão umbilical se rompe um pouco abaixo do umbigo após o nascimento do bezerro. Semelhante a uma tripinha úmida, passa a ser um tecido morto, pois deixa de receber sangue. Antes de cicatrizar, no entanto, o coto umbilical, como é conhecido no campo o resto morto do cordão umbilical externo, se constitui em uma fonte de alimentação para bactérias indesejáveis, pois é rico em nutrientes. Deste modo, se o coto umbilical tocar o chão contaminado com fezes, terra ou outras substâncias sujas, logo ficará repleto de micróbios. “Como os vasos ainda não estão atrofiados, se tornam vias de acesso para as bactérias penetrarem no organismo do bezerro”, explica Ortolani. Segundo ele, animais nascidos em locais sujos e contaminados (por exemplo, em currais ou ao seu redor) têm três vezes mais chance de ter onfalites do que os paridos em pastagens limpas.
 
A infecção se dá de várias formas. As bactérias podem colonizar apenas a região mais externa do umbigo, que se torna inchado, endurecido e dolorido (é comum presença de pus em sua extremidade) ou penetrar nas veias umbilicais, causando um quadro mais grave. Pelo sangue, os micróbios podem chegar às juntas e provocar inchaços, abscessos, manqueira, dentre outros sintomas.
 
A presença de bicheira no umbigo é muito comum, podendo atingir até 40% dos casos. “A onfalite ainda pode facilitar o surgimento de hérnia umbilical”, completa Ortolani. Por isso, o produtor não pode bobear. “É preciso fechar essa porta de entrada para as bactérias o mais rapidamente possível. Quando feita corretamente, uma única queima é o suficiente para provocar a mumificação do coto umbilical”, diz o veterinário Marcus Rezende. Segundo ele, muitos técnicos preconizam que o procedimento seja feito até duas horas após o nascimento, o que nem sempre é possível e ainda pode ser arriscado. “O importante é que a cura do umbigo seja feita no dia do nascimento e com bastante tranquilidade, para que o manejo não provoque a rejeição da vaca pelo bezerro”.