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ALIANÇA DA SOJA

Consultor vê soja brasileira superando 150 milhões de toneladas produzidas em 2022

Os números apontados pelo especialista são maiores do que os projetados pela Conab (142 milhões de t) e pelo USDA (144 milhões de t) para o Brasil

30 dezembro 2021 - 11h54Por Canal Rural

Após mais um ano de produção recorde de soja, o consultor de mercado agrícola Vlamir Brandalizze considera que a safra 21/22 deve superar expectativas. “Acredito que a produção de soja neste ciclo deve ficar, no mínimo, acima das 145 milhões de toneladas, com um grande potencial de ultrapassar 150 milhões de toneladas”, afirma.

Os números apontados pelo especialista são maiores do que os projetados pela Conab (142 milhões de t) e pelo USDA (144 milhões de t) para o Brasil. “Além desse recorde de produção, acredito também que o complexo soja deverá exportar na ordem de 115 milhões de toneladas. Também creio em recorde de faturamento, com pelo menos US$ 55 bilhões em exportação”, afirma.

Brandalizze diz que em função de uma provável safra cheia na América do Sul, Chicago deve trabalhar em uma média de US$ 12 a US$ 13 por bushel, mas com prêmios provavelmente menores no Brasil em função do volume maior a ser embarcado.

“Esperamos que, no pico da oferta, as cotações devam variar nos portos na faixa de R$ 150 e nos melhores momentos em torno de R$ 170. Assim, a dica para o produtor é que ele não deixe para vender na ‘boca’ da colheita, em fevereiro, porque teremos concentração de colheita de soja em praticamente todo o Brasil e ainda teremos uma pressão por conta da colheita do milho ao mesmo tempo. Por não termos uma grande capacidade de armazenamento e transporte, isso vai acabar refletindo em pressão baixista ao produtor. Mas passando a fase do pico da oferta, o mercado se organiza e iremos para um ano bom de cotações”, constata.

Em 4 de janeiro, primeiro dia útil do ano, o preço da soja na praça Paraná alcançou R$ 147,78 no indicador do Cepea. Durante os 12 meses, o mercado financeiro oscilou bastante com variação de câmbio, crise energética na China e tensão no cenário político. Apesar das incertezas, a valorização seguiu: em 20 de dezembro, a saca foi cotada em R$ 167,91 no mesmo local.

O ano também foi marcado pela irregularidade climática. No Mato Grosso, por exemplo, o excesso de chuva atrapalhou a instalação do milho segunda safra. Por outro lado, no Matopiba, a umidade ajudou no plantio antecipado da soja, mas dificultou o manejo. Contudo, a maior preocupação segue com a colheita do grão na região Sul. Rio Grande do Sul e Paraná são os maiores exemplos dessa apreensão, visto que sofrem com a estiagem desde outubro.

Já o segundo semestre de 2021 foi marcado pela disparada no preço dos insumos. O fertilizante subiu 150% em algumas regiões, alta motivada pela crise energética da China que paralisou indústrias. Para os próximos anos, o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Soja, Alvadi Balbinot Júnior, afirma que a entidade trabalha no sentido de oferecer ao agricultor produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no médio e longo prazos.

“Para isso, o primeiro eixo é a questão dos bioinsumos. Utilizar a nossa biodiversidade em favor de produtos que sejam úteis aos agricultores, como os inoculantes, que são largamente utilizados na cultura da soja. Certamente nos próximos anos teremos novos produtos, tanto para controle biológico quanto para estimulantes de crescimento e fixadores de nutrientes na cultura”, afirma.

Segundo ele, outro eixo de visão de futuro são as tecnologias de cunho digital, que vão ao encontro da agricultura de precisão em maior escala. “Outro ponto importante é a genética, que utiliza novas ferramentas modernas de melhoramento de plantas, como edição gênica e RNAI. São tecnologias que já estão na fase de início de desenvolvimento e, certamente, teremos nos próximos anos boas ferramentas para os agricultores”, explica.