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Clima pode dar sustentação ao preço do leite em curto prazo

01 setembro 2010 - 11h41Por Folha de São Paulo

Mesmo com o clima seco em grande parte do País no mês de julho, a produção de leite aumentou e os preços recebidos por produtores em agosto caíram novamente. De maio para cá, a queda acumulada é de 13,35%. Neste mês, o preço médio nacional pago ao produtor (referente à produção entregue em julho) recuou 4,5% (3,2 centavos por litro) frente a julho, indo para R$ 0,6918/litro – média ponderada dos estados de RS, PR, SC, SP, MG, GO e BA. No mês passado, a queda foi de 6,2%.

Comparando a média atual à de agosto do ano passado (em termos nominais), constata-se perda de 10,7%. Em julho, o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-Leite) registrou aumento de 5,44% frente a junho. No acumulado do ano, já houve aumento de 5,2% na captação de leite frente a igual período do ano passado. O índice de julho também representou alta de 10,2% em relação a julho/09. Novamente, o estado que mais contribuiu para o aumento do volume captado por laticínios/cooperativas foi o Rio Grande do Sul, com avanço de 8,8% na captação média diária.

Entretanto, conforme esperado pelos agentes locais, o aumento foi menor que o registrado no mês anterior em função do excesso de chuvas e frio em meados de julho. No Paraná, o ICAP-Leite teve aumento de 6,4% em relação a junho. Apenas o estado da Bahia registrou recuo na captação de leite no mês passado. Para o próximo pagamento (setembro, referente à produção de agosto), 56,5% dos agentes entrevistados (representantes de laticínios/cooperativas), responsáveis por 59,9% do volume amostrado na pesquisa, esperam nova redução de preços.

Para 37,7% dos entrevistados (que respondem por 35,4% do volume da amostra), haverá estabilidade de preços em setembro, e apenas 5,8% dos agentes (responsáveis por 4,7% da amostra) acreditam em alta nas cotações. Pesquisadores do Cepea acreditam que o clima continuará sendo o principal fator de definição do mercado nos próximos meses. A estiagem em grande parte das regiões produtoras tende a limitar a oferta de leite - caso o fenômeno La Niña se confirme, o período seco pode durar até o final de outubro no Sudeste e Centro-Oeste, o que pode atrasar a safra nessas regiões.

Outro fator que pode impactar a oferta de leite é a combinação de aumento dos custos do concentrado (basicamente em função dos reajustes do milho e farelo de soja) com redução do preço do leite – caso a estiagem persista, também a produção de grãos pode ser prejudicada, tendendo a piorar ainda mais a relação de troca do produtor de leite.