A informação foi confirmada ao Valor por uma fonte graduada da Esplanada. Consultado, o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) informou por meio da assessoria apenas que a pauta ainda não foi divulgada. Ainda não há definição de nova data para deliberação das medidas.
A expectativa é que entre na pauta de 11 de março. A reportagem mostrou que a criação do sistema de controle de cota da carne bovina ainda despertava divergências no governo federal. A área de comércio exterior do governo ainda aguarda parecer jurídico da Advocacia-Geral da União (AGU) para avançar com a proposta, disse a fonte. Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) não respondeu.
O Ministério da Agricultura concorda com o mecanismo apresentado pelo setor privado (de divisão trimestral até setembro dos volumes totais e de forma proporcional ao desempenho das empresas em 2025). A Pasta avalia que a iniciativa preserva pequenos frigoríficos na corrida por vender aos chineses, que poderia ser dominada pelas grandes multinacionais.
Ao menos uma companhia procurou o MDIC para apontar questionamentos jurídicos caso a regulação estatal seja adotada. O adiamento da votação atrapalha os planos do setor frigorífico. Representante da indústria reclamou da nova postergação da votação na Camex (antes, havia esperança de que o modelo fosse votado em 2/7 de fevereiro) e disse que a cadeia vai cobrar mais enfaticamente uma posição do governo sobre o assunto. Segundo essa pessoa, as plantas têm respeitado uma divisão informal para os embarques até agora, mas que o governo precisa se decidir quanto ao controle da cota, “pelo sim ou pelo não”.
O setor deverá insistir com o Executivo no discurso de que o cenário tem ficado mais apertado e que, no segundo semestre deste ano, poderá piorar, com o preço do boi gordo em alta, dificuldade de reposição de rebanho e dólar em queda.




