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Brasil pode avançar na exportação de ovinos, segundo estudo

19 julho 2010 - 00h00Por Globo Rural.

O rebanho ovino mundial voltou a crescer, depois de ter diminuído de forma constante de 1990 a 2000. E, no que se refere ao Brasil, o setor precisa de mudanças estruturais significativas. Esses e outros cenários estão no Estudo de Mercado Externo de Produtos Derivados da Ovinocaprinocultura, lançado em julho pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco).

O comércio internacional de produtos da ovinocaprinocultura alcança quase US$ 11 bilhões por ano e é bastante concentrado em produtos oriundos de ovinos, principalmente carne e lã. No entanto, a lã vem diminuindo sua participação no volume de comércio, enquanto a carne ovina não para de crescer em importância. No caso dos caprinos, o comércio de animais vivos é o item mais importante, seguido pela carne.

O estudo, desenvolvido entre junho e novembro de 2009, é resultado de um encaminhamento feito pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e tem como objetivo analisar o fluxo internacional da carne ovina e caprina e as oportunidades de negócios para o Brasil.

Chances de negócios para o Brasil

O levantamento indica que o Brasil participa do mercado principalmente como importador, perdendo a oportunidade de desenvolver sua cadeia produtiva de ovinos e caprinos, e ocupar as áreas de pasto subutilizadas do país.

“A carne brasileira ainda tem um longo caminho para se tornar competitiva. No caso da comercialização de animais vivos, vencendo as barreiras sanitárias e técnicas, as dificuldades são menores, podendo ser uma opção interessante de atuação”, afirma o coordenador nacional da Carteira de Ovinocaprinocultura do Sebrae, Ênio Queijada. A entidade foi umas das que solicitou a pesquisa.

De acordo com o estudo, para ser um importante competidor na ovinocaprinocultura mundial, o Brasil precisa se espelhar em países como Austrália, Nova Zelândia e Uruguai. Nesse contexto, a garantia da sanidade do rebanho deve ser aprofundada, para que as barreiras não-tarifárias sejam superadas e a carne ovina brasileira possa alcançar os mercados importadores que remuneram melhor o produto.

Segundo o vice-presidente da Arco, Arnaldo dos Santos Vieira Filho, o rebanho de ovinos e caprinos do Brasil é formado por 26 milhões de cabeça. Ele acredita que uma das formas para atuar no mercado internacional é por meio do enriquecimento genético.

O estudo aponta ainda que a exportação de ovinos está bastante concentrada em apenas dois países, Nova Zelândia e Austrália, que têm consciência da dificuldade de continuar fornecendo valores crescentes ao mercado internacional.
O rebanho mundial de ovinos diminuiu cerca de 8% nos últimos 20 anos, porém a produção de carne ovina aumentou em 27%. De 1997 a 2008, a importação de carne ovina passou de US$ 6 milhões para mais de US$ 23 milhões. Já o rebanho caprino aumentou cerca de 40% em 20 anos. China e índia se destacam em quantidade de animais, apesar de a Índia ter perdido um pouco de participação percentual nos últimos anos.