Com estoques adequados à demanda e escalas de abate que, em algumas regiões, avançaram entre um e dois dias, os frigoríficos brasileiros ganharam espaço para testar preços menores.
Nesta quarta-feira (19/8), a Agrifatto, que acompanha diariamente o mercado em 17 regiões brasileiras, identificou retração nos preços do boi gordo em três importantes praças — em São Paulo, Mato Grosso e Goiás.
No entanto, a mesma consultoria também apurou valorizações da arroba em quatro regiões: AC, ES, MA e RJ. Nas demais praças monitoradas, os preços ficaram estáveis.
No interior de São Paulo, pelos dados da Agrifatto, o animal terminado macho recuou para R$ 350/@, no prazo — sem a existência de ágio para o “boi-China”.
De acordo com levantamento da Scot Consultoria, que utiliza método diferente de apuração dos preços pecuários em relação ao adotado pela Agrifatto, o boi gordo sem padrão-exportação está cotado em R$ 347/@ em São Paulo, a vaca em R$ 325/@, a novilha em R$ 337/@ e o “boi-China” em R$ 350/@ (valores brutos, no prazo).
Pelo levantamento semanal da Agrifatto, na média nacional, as programações de abate das indústrias brasileiras seguem atendendo sete dias úteis.
Do lado da oferta, diz a consultoria, a ausência de sobra de boiadas terminadas limita o espaço para novas baixas dos preços da arroba.
“Os pecuaristas seguem resistentes às propostas dos frigoríficos e mantêm contida a disponibilidade de animais, restringindo o volume de negócios e preservando seu poder de negociação”, observa a Agrifatto.
Assim, embora os recuos já apareçam em alguns mercados, o cenário ainda não indica uma queda generalizada da arroba, dizem os analistas da consultoria.
“O volume da boiada influencia as negociações: lotes maiores alcançam preços mais altos, enquanto lotes menores e negociações pontuais tendem a ocorrer em referências mais baixas”, informa a Scot Consultoria, ainda referindo-se ao mercado paulista, referência para as demais praças.
Preços futuros do boi gordo sobem
No mercado futuro, na terça-feira (18/8), os contratos do boi gordo encerraram em alta, com destaque foi o papel com vencimento em setembro/26, cotado a R$ 354,15/@, o que representou valorização de 1,1% em relação ao fechamento anterior.
Vendas de carne bovina patinam no varejo e atacado
Sem alterações em relação ao fraco movimento da semana passada, as vendas de carne bovina no varejo de São Paulo seguem inexpressivas, informa a Agrifatto.
Em um mês longo, com cinco semanas, o menor poder aquisitivo da população favorece a migração para proteínas mais baratas, como aves e suínos.
Esse cenário, prevê a Agrifatto, deve persistir até o fim de agosto/26, apesar do crédito do vale mensal no dia 20.
O atacado com osso acompanha a retração da ponta consumidora, reforça a consultoria.
“Distribuições fracas e poucos pedidos de reposição mantêm o mercado travado”, dizem os analistas.
Além disso, continua a consultoria, há um volume razoável de carne encalhada nos entrepostos, com descarregamentos adiados em ao menos um dia.
Além disso, nesta quarta-feira (19/8), há oferta razoável de todos os produtos com osso para pronta entrega, mas os distribuidores demonstram pouco interesse em reforçar os estoques, já abastecidos para quinta (20/8) e sexta-feira (21/8), relata a Agrifatto.
“Até o dianteiro destinado ao consumo in natura, que ainda apresentava alguma demanda, perdeu liquidez”, observa a consultoria.
Para as negociações desta quinta-feira (20/8), o volume destinado ao atacado deve permanecer próximo ao da semana anterior, antecipam os analistas.
“A oferta de boi castrado é suficiente para atender à demanda com sobra, enquanto as disponibilidades de boi inteiro, vaca e novilha permanecem regulares”, ressalta a equipe de analistas da Agrifatto.




