A lentidão da Justiça brasileira para finalizar os processos relacionados à s homologações de terras indÃgenas colabora para aumentar o clima de tensão e violência em as áreas de conflito, em especial no estado de Mato Grosso do Sul. A avaliação foi feita pela desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo e uma das fundadoras da Associação de JuÃzes pela Democracia (AJD) Kenarik Baujikian.
Uma das observadoras da Aty Guasu, uma grande assembleia do povo indÃgena Guarani-Kaiowá do estado de Mato Grosso do Sul, que ocorre no municÃpio de Tacuru até sábado (3/3), a desembargadora acredita que devido à lentidão do Poder Judiciário tanto Ãndios quanto fazendeiros e produtores rurais partem para o conflito a fim de defender seus direitos. “O Judiciário brasileiro precisa saber dos reflexos do descumprimento da sua obrigação, que é fazer justiça. Nesse caso, acaba criando mais injustiça e isso é gravÃssimo.
É preciso ter consciência de que a falta de decisão está fomentando situações muito tristes que estamos vendo agora, especialmente em Mato Grosso do Sul”, disse Kenarik Baujikian. Para a desembargadora, os processos de demarcação e homologação de terras indÃgenas não podem tramitar por anos nos tribunais sem que tenha uma definição. “A demora na solução acaba reforçando os problemas que existem de violência, tensões, seja dentro das comunidades indÃgenas, seja nas outras comunidades que estão em volta.
O Judiciário tem cumprido um papel de reforçar [isso], na medida em que a questão da demarcação de vários processos está paralisada no Supremo Tribunal Federal”, argumentou. “A demora da Justiça contribui para a violência e não só para isso como também para a instabilidade geral em todos os sentidos, inclusive, econômico dos envolvidos.
A pior coisa que pode acontecer é não se resolver esse problema logo, seja por meio das homologações, seja pelas questões que já estão no Judiciário”, acrescentou a desembargadora. Iniciada na quarta-feira (29), a primeira Aty Guasu de 2012 reúne cerca de 250 lideranças, que representam cerca de 45 mil Ãndios das etnias Guarani-Kaiowá e Nhandéwa, de 26 municÃpios de Mato Grosso do Sul. Criada na década de 1970, Aty Guasu é parte da organização social e um movimento polÃtico-religioso do povo indÃgena Guarani-Kaiowá. Ao final do encontro, os Ãndios divulgarão um documento com reivindicações e demandas que serão encaminhados à s três esferas de Poder.


Lentidão da Justiça colabora para clima e violência em áreas de conflito, diz a desembargadora Kenarik Baujikian - Crédito: divulgação


