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Pecuária

Relatório do IBGE mostra cenário pouco favorável à produção pecuária brasileira

22 outubro 2013 - 12h42Por IBGE
Relatório do IBGE mostra cenário pouco favorável à produção pecuária brasileira
Aumentos nos custos dos principais insumos de produção, tais como produtos veterinários, escassez de milho e soja – importantes componentes da ração animal, sobretudo para avicultura e suinocultura – dificuldades de distribuição e problemas climáticos resultaram num cenário pouco favorável à produção pecuária brasileira em 2012. Em relação ao ano anterior, houve redução dos principais rebanhos de pequeno, médio e grande portes investigados pela pesquisa: bovinos (- 0,7%, equivalente a menos 1.536.229 cabeças) e suínos (-1,3% ou 511.434 cabeças).
 
Apesar das quedas na quantidade produzida dos produtos de origem animal, seus valores, na grande maioria dos casos, subiram no comparativo 2012-2011, à exceção do mel de abelha (-3,6%). As maiores valorizações ocorreram em ovos de codorna (+27,2%), ovos de galinha (+17,4%), leite (+9,9%) e lã (+9,3%). É o que mostra a Produção da Pecuária Municipal – PPM 2012, pesquisa divulgada anualmente pelo IBGE. APPM 2012 traz ainda informações sobre o efetivo de outros rebanhos, quantidade e valor dos produtos de origem animal, bem como número de vacas ordenhadas e de ovinos tosquiados para o Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação e municípios produtores.
 
Entre 2011 e 2012, houve queda em todos os rebanhos animais do país: -0,8% para os de grande porte, -3,2% para os de médio porte e -1,7% para os de pequeno porte. Dentre os primeiros, os rebanhos de asininos (asnos) e de muares (mulas e burros) foram os mais atingidos (-7,4% e -3,8%, respectivamente); o de bovinos, com 211.279.082 cabeças em 2012, registrou a menor queda (-0,7%). Quanto aos animais de médio porte, os maiores decréscimos ocorreram nos efetivos de caprinos (-7,9%) e ovinos (-5,0%), e o menor no de suínos (-1,3%). Entre os de pequeno porte, a maior redução foi a dos coelhos (-12,4%). Dentre todos os efetivos investigados, somente o de codornas aumentou (5,6%).
 
Os problemas climáticos tiveram parcela significativa de influência na redução da produção da pecuária, em especial pela seca que afetou o Norte e o Nordeste do país, regiões onde ocorreram algumas das principais variações negativas. Em alguns casos, como na produção de caprinos e ovinos, as reduções justificaram-se pelo desestímulo do produtor de continuar na atividade e pelos baixos rendimentos obtidos, o que provocou o envio precoce de animais para descarte.
 
Bovinos: rebanho só cresce no Norte do país
Segundo colocado no ranking mundial de rebanhos bovinos, atrás somente da Índia, e segundo também na produção de carne bovina (o primeiro lugar é dos Estados Unidos), o Brasil nos últimos cinco anos, em termos regionais, manteve efetivo crescente de bovinos somente na Região Norte, embora o ritmo de crescimento tenha se reduzido, sobretudo em 2011 e 2012.
 
Amapá (+12,0%) e Roraima (5,4%) tiveram as maiores variações relativas da região, apesar da pouca representatividade nacional. No Nordeste foi registrada a maior queda (-4,5%), principalmente em Pernambuco (-24,2%), Paraíba (-28,6%) e Rio Grande do Norte (-18,1%). Ceará (+3,8%), Maranhão (+3,1%) e Piauí (+0,1%) aumentaram seus efetivos. No Sudeste, a queda de 0,3% no rebanho bovino foi puxada pela redução de 2,4% do efetivo em São Paulo, em grande parte devido ao avanço da lavoura de cana-de-açúcar sobre as áreas de pastagens. No Sul, a redução foi de 1,3%. No Rio Grande do Sul, maior rebanho da região, a queda de 2,3% foi causada pela migração de atividade para a agricultura e a silvicultura, especialmente soja, além do descarte de animais devido à seca. No Centro-Oeste do país, o efetivo de bovinos diminuiu 0,4%, com variações negativas em Mato Grosso (-1,8%) e Mato Grosso do Sul (-0,3%) e positivas em Goiás (1,4%) e Distrito Federal (2,1%).
 
Em 2012, os maiores efetivos de bovinos foram os de Mato Grosso (13,6%), Minas Gerais (11,3%), Goiás (10,4%), Mato Grosso do Sul (10,2%) e Pará (8,8%). Com participações praticamente estáveis em relação a 2011, esses estados somavam 54,4% do efetivo nacional, em conjunto.
 
Em termos municipais, os números mais significativos estavam localizados em São Félix do Xingu (PA), Corumbá (MS) e Ribas do Rio Pardo (MS), somando 2,4% de participação nacional. Dentre os 20 municípios com os maiores efetivos, seis estavam situados em Mato Grosso, seis em Mato Grosso do Sul, seis no Pará, um em Goiás e um em Rondônia.
 
Região Sul detém quase 50% do rebanho de suínos do Brasil
O Brasil é o quinto maior produtor mundial de carne de suínos (China lidera o ranking) e detém o quarto maior efetivo desta espécie animal: 38,796 milhões de cabeças em 2012 (-1,3% em relação a 2011). Foi a seguinte a participação regional em 2012: Sul (49,5%), Sudeste (18,4%), Nordeste (15,1%), Centro-Oeste (13,2%) e Norte (3,8%). Santa Catarina (19,3%) é historicamente o estado com o maior efetivo da espécie, seguido por Rio Grande do Sul (16,0%), Paraná (14,2%) e Minas Gerais (13,3%). Juntos, os quatro somam 62,8% do total nacional. Os municípios de Uberlândia (MG), Rio Verde (GO) e Toledo (PR) foram os mais representativos no país.
 
Na Região Norte (-5,1%), as maiores quedas absolutas ocorreram nos rebanhos do Pará (-28.569 cabeças), Roraima (-20.163) e Amazonas (-18.327). No Nordeste (-3,6%), quedas importantes ocorreram na Bahia (-107.272 cabeças), Piauí (-44.329), Rio Grande do Norte (-20.138) e Paraíba (-17.827). No Sudeste (+ 1,5%), São Paulo (-42.034 cabeças) reduziu o seu rebanho, enquanto Minas Gerais (+142.808 cabeças) teve aumento significativo. No Sul (+0,6%), Santa Catarina (-487.933 cabeças) foi o único estado a apresentar redução, compensada pelos aumentos ocorridos, sobretudo no Rio Grande do Sul (+535.801 cabeças). O Centro-Oeste apresentou o maior decréscimo (-7,8%), e todos os estados da região tiveram quedas: a maior, em valor absoluto, em Mato Grosso (-164.738) e, percentualmente, no Distrito Federal (-54,7%).