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Pecuária

Projetos da Embrapa fomentam pecuária no país

09 abril 2010 - 00h00Por Embrapa Gado de Corte, por Dalízia Aguiar.

Um tem foco na pecuária leiteira; o outro, na de corte. As iniciativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Projeto Balde Cheio e Programa de Boas Práticas Agropecuárias – bovinos de corte (BPA), respectivamente, consolidam-se, dia após dia, como trabalhos inovadores de transferência de tecnologia.

O Balde Cheio tem entre seus objetivos atualizar produtores de leite e extensionistas quanto aos conceitos da produção intensiva de leite, estimular a relação Embrapa - Extensionistas – Produtores, transformar a propriedade rural em uma sala de aula prática, tornando-a um exemplo para outros produtores, gerar demanda pela assistência técnica e desenvolver novas pesquisas.

Por sua vez, o Programa de Boas Práticas Agropecuárias anseia fortalecer o setor produtivo por meio da adequação de procedimentos, do aumento da rentabilidade e da competitividade; da garantia de alimentos saudáveis e seguros; e da construção de sistemas de produção sustentáveis, com a asseguração do bem-estar dos animais. Desta forma, há o aquecimento do mercado interno com a abertura de novos mercados.

Cada proposta tem sua metodologia de trabalho. O Balde Cheio tem a duração de quatro anos, com visitas às Unidades Demonstrativas (UD) a cada quatro meses. No projeto, uma propriedade por município é selecionada pelo extensionista interessado, que tenha na atividade leiteira sua principal fonte de renda e, posteriormente, ela servirá como exemplo a outros produtores em situação semelhante. A equipe é capacitada em manejo de pastagem e rebanho e irrigação de pastagens.

O BPA treina instrutores e multiplicadores em normas e procedimentos a serem observados nos principais pontos de controle do sistema de produção da carne bovina. São eles: gestão da propriedade, função social do imóvel rural, responsabilidade social, gestão ambiental, instalações rurais, manejo pré-abate e bons tratos na produção animal, formação e manejo de pastagens, suplementação alimentar, identificação animal, controle sanitário e manejo reprodutivo.

Após essa capacitação, há a implantação do protocolo BPA na propriedade, a emissão de laudo de implantação, emitido pela Embrapa ou entidade parceira credenciada e, em uma segunda fase, a certificação da fazenda.

Os benefícios do Balde Cheio e do BPA são concretos e dimensionáveis. Estatísticas da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP), Unidade coordenadora do Projeto, apontam que cerca de 90% dos produtores vinculados ao Balde Cheio conseguia produção diária inferior a 80 litros no início dos trabalhos. Após a sua incorporação à proposta, os números saltaram para 300 litros a mil litros/dia. Entretanto, o indicador mais importante na atividade, que é a produção de leite por hectare/ano, foi elevada de 12 a 15 vezes.

Já os pecuaristas que aderiram ao Programa BPA são unânimes em afirmar que ao implantar as boas práticas ocorreu a identificação e a correção de pontos críticos na propriedade, a redução das perdas e da má utilização de insumos, a diminuição dos riscos com ações trabalhistas e ambientais, a melhoria da qualidade da carcaça e do couro e a agregação de valor e competitividade.

Atualmente, o Balde Cheio está em 22 estados brasileiros e em todas as regiões do país e 500 extensionistas passaram pelo treinamento ministrado por especialistas da Embrapa. “O Brasil ainda não é um dos maiores exportadores de leite do mundo, porque, infelizmente, ainda temos poucos extensionistas capacitados para isso. Podemos mudar este cenário”, propõe o pesquisador Fernando Campos Mendonça, da Embrapa Pecuária Sudeste.

O BPA possui coordenações regionais nas cinco regiões. No Norte a Embrapa Amazônia Oriental (Belém-PA) é responsável pelo Boas Práticas Agropecuárias; no Nordeste, a Embrapa Semi-Árido (Petrolina-PE); no Sul, a Embrapa Pecuária Sul (Bagé-RS); no Sudeste, a Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP) e no Centro-Oeste, a Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), que também coordena nacionalmente o Programa. “Hoje o Brasil é um grande país exportador de carne bovina, os olhos do mundo estão em nós, o BPA entra como uma resposta a isso.Uma resposta boa para o Brasil, melhor para o produtor rural”, afirma o pesquisador da Embrapa, Ezequiel Rodrigues do Valle, coordenador-geral do BPA.

Os dois pesquisadores da Embrapa apresentaram as respectivas iniciativas inovadoras durante a 5ª edição da Dinâmica Agropecuária - Dinapec, que acontece até amanhã, dia 9, na Embrapa Gado de Corte em Campo Grande-MS.

A Dinapec é realizada pela Embrapa e tem a participação de sete Unidades de Pesquisa. Embrapa Gado de Corte, Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS), Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP), Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antonio de Goiás-GO), Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) e Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral-CE) contribuem no evento com seus técnicos e tecnologias.

Além disso, o encontro tem o patrocínio da Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras Tropicais (Unipasto), Serrana Fertilizantes, Produção Consultoria e Pfizer e o apoio da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Mídia DBO, BM&F, Uniderp-Anhanguera, Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer).