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Pecuária

Investigação sobre dono do JBS deixa pecuária em alerta

08 setembro 2016 - 19h14Por Jornal Correio do Estado, 7/9/2016
Investigação sobre dono do JBS deixa pecuária em alerta

Produtores rurais de Mato Grosso do Sul acompanham com cautela e incerteza os desdobramentos da Operação Greenfield, desencadeada anteontem pela Polícia Federal
no Distrito Federal e nove Estados, diante do envolvimento, nas investigações, da holding J&F, que controla o Grupo JBS, responsável por ao menos 80% da fatia do mercado pecuário do Estado, conforme projeções repassadas por entidades do setor ao Correio do Estado.

De acordo com Jonatan Barbosa, presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), 24 horas após a deflagração da operação que colocou no “olho do furacão” os irmãos Joesley e Wesley Batista, proprietários da holding e controladora do grupo JBS no País,  muitas foram as conversas e buscas de informações por parte dos associados, mas até ontem ainda não havia chegado à entidade nenhuma informação sobre mudança de escala nos frigoríficos, nem notícia de pedidos feitos por produtores para prorrogação do prazo de  pagamentos, o que indicaria que no Estado o mercado permanece inalterado.

Mesmo assim, ressaltou, a situação é vista com preocupação pelo pecuarista sul-mato-grossense, dada a representatividade do grupo empresarial para a economia brasileira.

“O Governo do PT investiu muito nesse grupo, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e em qualquer tipo de monopólio, seja qual for o segmento, nós somos contra. Fizemos um movimento nacional em Campo Grande e dele tiramos uma carta, mostrando na época a nossa preocupação com a concentração do mercado da carne, mas não fomos ouvidos e o projeto deles (JBS) continuou. Eles foram comprando frigoríficos,  desativando outros e aqueles que não foram comprados, pode-se dizer que são operação indireta”, analisa.

Por outro lado, enfatiza Jonatan Barbosa, atualmente o JBS opera forte não apenas com a carne bovina — as atividades do grupo estendem-se para a carne suína, de frango, embutidos e também estão internacionalizadas.

“Hoje eles têm megaconfinamentos, o projeto do grupo é se tornar independente também em abate. Então, para nós que trabalhamos com pecuária hoje no Estado, há a preocupação: para quem nós vamos vender? O pequeno (produtor), quando vê o JBS, paga com 30, 60 dias de prazo, com um monte de facilidades, para nos deixar em dificuldade. Não adianta vir o governo e falar em aumentar exportação se não tem seriedade, se não tem garantia e o
problema está no abate, dentro do Brasil. Acelera-se nos confinamentos, colocam esse boi para exportação e a nossa escala para abater aqui, não tem”, explicou.

Para o dirigente da Acrissul, o produtor rural de Mato Grosso do Sul ainda pode sair prejudicado caso o JBS seja afetado no decorrer das investigações, porque a estrutura frigorífica do grupo é o lugar que a classe tem atualmente para fazer as operações. “Entre
80% e 90% do mercado é deles. Para o Estado, também causa grandes impactos e o governo deverá tomar medidas, porque poderá causar, inclusive, quebra na arrecadação”, alertou.

Reflexos
Na avaliação de João Alberto Dias, presidente da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carnes de Mato Grosso do Sul (Assocarnes/MS), o envolvimento da holding
que controla, entre outras empresas, o grupo JBS nas investigações de uma nova operação da Polícia Federal causa incerteza para a economia, de um modo geral, com um primeiro impacto
na Bolsa de Valores, mas é preciso aguardar as próximas etapas da operação, para então emitir um parecer.

“No mercado rural de agronegócio, por enquanto não há reflexos. Os negócios seguem normais, tanto de empresa para produtor quanto do produtor para empresa. O mercado da carne está estável e a política de preços também, a arroba do boi e da vaca tem se mantido com
os preços estáveis nos últimos 30 dias, oscilando entre R$ 141 e R$ 142 (para o boi) e R$ 134 a R$ 135 (a vaca)”, comentou.

Procuradas pelo Correio do Estado, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Associação Sul-Mato-Grossense de Criadores do Novilho Precoce (ASPNP) e o Sindicato Rural de Campo Grande não quiseram se manifestar sobre o assunto.

O Governo do Estado também preferiu não se posicionar sobre o caso.