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Pecuária

Com medo de calote, pecuarista prefere vender à vista

20 julho 2010 - 00h00Por Acrimat.

Com a incerteza ainda rondando o setor frigorífico, a maioria dos pecuaristas de Mato Grosso preferem negociar o gado somente mediante pagamento à vista. "Não acho que o pagamento à vista está dificultando a atividade frigorífica, a empresa já teve tempo para se adequar a essa realidade", opina o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea-MT), Otávio Celidônio. "A principal dificuldade é que quem tinha crédito lá fora deixou de ter por causada crise".

A quebra do Frialto, diz Celidônio, veio deste momento, após um acúmulo de dívidas com vencimento a curto prazo. Hoje, sozinha, a empresa acumula uma dívida média de R$ 30 milhões com os pecuaristas mato-grossenses. No total, incluindo todos os credores, o saldo devedor chega a R$ 564 milhões. Com plantas mantidas nos municípios de Matupá, Sinop e Nova Canaã do Norte, a empresa retomou o abate recentemente nas duas primeiras.

Para o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, uma das medidas que poderiam favorecer o setor pecuarista seria a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o boi em pé, da margem atual de 7% para 4%. "Além disso, a gente vê o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) cumprindo seu papel, para ajudar as pequenas e médias empresas do setor". Ele diz que antes da crise econômica, as indústrias mantinham o trabalho alavancado, recorrendo a empréstimos no mercado. "O empresário se vira como pode, não dá para comparar as taxas do crédito oficial como crédito privado". A consequência do fechamento dessas indústrias, diz Vacari, é que os pecuaristas são os principais prejudicados, por não terem com quem comercializar o rebanho.

A única saída para o setor, portanto, é continuar priorizando as negociações à vista com as indústrias. "Na verdade, o governo tem que olhar as empresas frigoríficas de maneira diferente, porque elas geram emprego e renda. Paralisadas, não arrecadam impostos e não há como manter os serviços públicos", opina o presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo), Luiz Freitas.

Do total de 62 plantas frigoríficas autorizadas pelos serviços de inspeção estadual e federal (SIF e Sise) que poderiam estar em operação no território mato-grossense, 43 mantêm atividade atualmente, numa paralisação de 30,65% nos abates bovinos. O acúmulo de dívidas após o abalo do sistema financeiro, a dificuldade em obter financiamentos e até mesmo o elevado índice de abates clandestinos no Estado são alguns aspectos que tem inviabilizado a sustentação do setor.

O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea/MT), Otávio Celidônio, lembra que a crise iniciada em outubro de 2008 se desdobrou até fevereiro de 2009, quando paralisaram os frigoríficos Independência, Arantes e Quatro Marcos. Recentemente, além do Frialto, as plantas do frigorífico Pantanal também tiveram a atividade suspensa. "Havia uma infraestrutura gigantesca que na época caiu 22%", observa. "O problema é que houve um investimento muito grande por parte desses empresários, sem analisar como seria o mercado", avalia. Nos últimos dez anos, vários frigoríficos deixaram de operar no Estado.

"Vínhamos há seis meses trabalhando com margem negativa", revelou o proprietário dos frigoríficos Pantanal e também presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo), Luiz Freitas. Ele afirma que atualmente o parque industrial instalado no Estado tem capacidade de abate 50% superior ao que seria necessário para um rebanho como o atual, o que prejudica o setor, com as indústrias praticando preços acima do tolerável.

Contrapondo a declaração de Freitas, Luciano Vacari, afirma que na realidade o Estado precisa de mais frigoríficos, especialmente no norte e nordeste mato-grossenses. Ele lembra que em diversas regiões do Estado há um único frigorífico num raio de até 300 quilômetros centralizando a compra dos animais e praticando preços nem sempre compensatórios ao pecuarista.

Para o presidente da Associação dos Frigoríficos de Mato Grosso (Asfrigo), Adriano Salles, há um efeito cascata desencadeado no setor, que atinge inclusive os frigoríficos menores, os quais tem operado com 50% de sua capacidade total. "Não tem renda para aumentar a produção", diz Salles. O prejuízo se agrava com o alto índice de abates clandestinos. Por ano, eles envolvem 500 mil animais em Mato Grosso, diz o presidente.