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BOI GORDO

Valor da arroba nas praças paulistas vai se distanciando cada vez mais dos R$ 300

Nesta semana, preço do macho terminado já sofreu queda de R$ 5/@ em SP, e agora é negociado a R$ 285/@, no prazo, informa a Scot Consultoria

22 setembro 2022 - 07h38Por DBO Rural

Repetindo o movimento registrado no dia anterior, o preço do boi gordo negociado no interior de São Paulo voltou a recuar nesta quarta-feira, 21 de setembro, informa a Scot Consultoria. “Nas praças paulistas, o quadro segue confortável para os frigoríficos, em função das compras antecipadas de boiadas, o que mantém as escalas das indústrias alongadas”, relata o boletim diário divulgado pela Scot.

Tal cenário, atrelado ao consumo enfraquecido no mercado interno da carne bovina, segue pressionando as cotações da arroba, acrescenta a consultoria. Segundo os dados apurados pela Scot, o macho terminado destinado ao mercado interno (sem prêmio-exportação) sofreu retração de R$ 2/@ nesta quarta-feira, atingindo R$ 285/@, valor bruto, no prazo.

A cotação da novilha gorda paulista também teve recuo de R$ 2/@, e agora vale R$ 280/@, preço bruto e a prazo. A vaca gorda segue estável nas praças de São Paulo, cotada em R$ 270/@ (bruto, no prazo), informa a Scot.

O bovino com destino à China (abatido mais jovem, com até 30 meses de idade) está cotado em R$ 300/@ no mercado paulista (preço bruto e a prazo). Nesse caso, “há ofertas abaixo da referência, mas sem grandes volumes negociados”, observa a Scot.

Segundo a IHS Markit, o mercado do boi segue com preços predominantemente estabilizados, porém a fraca atuação das indústrias ainda abre espaço para reajustes pontuais na arroba. “As poucas indústrias que ainda atuaram no mercado spot testam cotações abaixo das máximas vigentes”, ressalta a IHS, acrescentando que alguns frigoríficos conseguem certo êxito em algumas regiões do País.

Porém, continua a IHS, os lotes de animais negociados envolvem volumes pequenos, o que não fomenta liquidez crescente no mercado brasileiro do boi gordo. Na avaliação da IHS, grande parte das unidades brasileiras de abate dispõe de escalas minimamente ajustadas às necessidades operacionais do período.

Na visão da IHS, a oferta de boiada gorda garantida por meio de lotes provindos de parcerias com grandes confinadores (ou de instalações próprias de engorda no cocho) também limita o apetite comprador por parte dos frigoríficos. “A oferta de animais oriundos do segundo giro de confinamento também ajuda a fortalecer a pressão de baixa em algumas regiões do País”, observa a consultoria.

Tal movimento foi observado pela IHS Markit nesta quarta-feira nas regiões do Mato Grosso, o Estado responsável pelo maior rebanho de corte do País. Os preços da arroba nas praças mato-grossenses monitoradas pela IHS registraram recuos devido à menor necessidade de aquisição de boiadas gordas por parte das indústrias locais, ressalta a consultoria.

Dessa maneira, em Cáceres e Tangará da Serra, as cotações do macho terminado recuaram de R$ 265/@ para R$ 262/@. Em Barra do Garças, o boi foi de R$ 265/@ para R$ 260/@. Em Cuiabá e Colíder, o animal terminado caiu de R$ 263/@ para R$ 260/@. De acordo com a IHS, a pressão negativa na arroba também advém do incremento observado nos abates de fêmeas, sobretudo pela mudança no ciclo pecuário (maior descarte de matrizes).

Aposta na estabilidade

Considerando todas as importantes praças pecuárias do País, os analistas da IHS acreditam que, pelo menos no curtíssimo prazo (até o final deste mês), as cotações do boi gordo tendem a apresentar certa estabilidade, apesar da forte pressão de baixa imposta pelos frigoríficos.

“Espaço para novos recuos é limitado, já que os pecuaristas, munidos de um menor volume de animais para venda, cadenciam as suas ofertas, barganhando melhores condições de preço e margens minimamente remunerativas”, acredita a IHS.

Em relação às vendas de carne bovina no atacado, o fluxo de comercialização ainda se mostra fraco, bem aquém das expectativas do setor para época do ano.

Porém, diz a IHS, o firme fluxo dos embarques da carne bovina ao exterior tem auxiliado na equalização dos estoques doméstico, minimizando um quadro de quedas nos preços dos principais cortes bovinos.

“De certa forma, o avanço significativo da produção nacional de carne bovina foi impulsionado pelo incremento das exportações, mas o setor ainda aguarda um escoamento mais consistente do mercado doméstico”, relata a IHS.

As expectativas se voltam para o último trimestre do ano, quando existe possibilidade de repique de negócios que possam encaixar preços mais firmes na proteína, acrescentam os analistas da IHS.